Nec defende PPPs para implantar tecnologias de smart city

Jaime Serrano, responsável pelo negócio da Nec Ibérica; e Iñigo de la Serna, membro do conselho consultivo da Nec Ibérica e ex-prefeito de Santander. Foto: Bruno do Amaral

A fornecedora japonesa Nec aposta nas parcerias público-privadas para promover o investimento em cidades digitais no Brasil. A companhia trouxe ao País nesta terça-feira, 24, para discutir com autoridades locais o membro do conselho da Nec Ibérica e ex-prefeito da cidade espanhola de Santander, Iñigo de la Serna. A ideia é apresentar o caso de smart city no município europeu como uma espécie de direção para eventuais implantações brasileiras.

Segundo o diretor de marketing da Nec, André Eletério, o intuito da empresa é justamente o de oferecer soluções para governo sob essa ótica da parceria. As discussões do executivo espanhol com as autoridades – entre eles, representantes de prefeituras, incluindo da gestão Bruno Covas, na capital paulista – têm esse contexto. "O investimento com certeza é por meio de PPP", comentou Eletério sobre as oportunidades no País em conversa com jornalistas.

Em posicionamento, a Nec coloca que "o verdadeiro impulso aos projetos de cidades inteligentes abrange o envolvimento e a coordenação de todos os agentes urbanos", o que significa dar às administrações públicas o poder não de criar infraestrutura, mas de promover a criação de ecossistemas de criação, "disponibilizando infraestruturas e dados de terceiros das cidade". Assim, acredita que isso deve ser regulamentando para maximizar o potencial da tecnologia, mas protegendo aspectos de segurança e privacidade do cidadão. "O modelo mais eficaz para o desenvolvimento desse ecossistema é a colaboração público-privada, que enfrenta restrições legislativas e administrativas que frequentemente restringem o acesso do capital à inovação."

Para a fornecedora japonesa, o caso de Santander mostra um "esforço" para chegar a um ponto de equilíbrio que maximize oportunidades de inovação por conta da colaboração de empresas e da oportunidade de novos modelos de negócios – aproveitando uma plataforma privada em vez de precisar levar pelo menos seis meses para desenvolver uma política específica, por exemplo. Segundo explica Iñigo de la Serna, uma PPP tornou possível o projeto de iluminação pública. O contrato, com vigência de 15 anos, prevê a substituição de 23 mil postes, introdução de lâmpadas de LED, controle ponto a ponto para regular intensidade da luz e, em alguns casos, sensor de movimento. "A parceria privada recuperou o investimento de 11 milhão de euros com a economia conseguida no consumo. O investidor conta com KPIs e indicadores, e, ao longo do tempo, vai recuperando. A prefeitura em si não gastou nada", declara. "O mais importante é gerar as coisas sem muito dinheiro gasto, fazendo a cidade amigável para protótipos e modelos de negócios."

Outros tipos de sensores instalados na cidade espanhola incluem monitoramento de tráfego e detectores de nível de ruído e de partículas de poluição, que informam em tempo real os dados. Há ainda caso de medidores inteligentes de água, capazes de identificar um vazamento com o consumo atípico. "Enquanto fizemos toda a implantação, a parte mais importante é ter o cérebro, a plataforma de gestão da cidade: o centro de operações, no qual a prefeitura tem a Nec e a Telefónica em colaboração para enviar informações das verticais que juntamos. Assim, podemos cruzar os parâmetros ambientais com os de tráfego, por exemplo, e já tomar decisões." O papel da companhia espanhola "é o de ser um operadora do portfólio de desenvolvimento" da smart city junto com a japonesa. A expectativa é prover a plataforma com dados e machine learning, para que, no futuro, possa chegar a ter condições de tomar decisões.

Uma das principais implantações em Santander foi a de sensores em caçambas de lixo e em caminhões de coleta. Por meio desses dados, a prefeitura conseguia determinar de forma mais inteligente a rota e o horário do serviço de limpeza urbana. A tecnologia de comunicação utilizada com os sensores foi, em grande parte, por meio de rádio.

A implantação da tecnologia em Santander começou em 2007, quando foi escolhida pela União Europeia para um programa de implantação de sensores de Internet das Coisas (IoT) concomitante ao plano estratégico do município plurianual – o último, para o período de 2010-2020, foi aprovado em 2013. Um ponto que Iñigo de la Serna ressaltou ainda é que as plataformas precisam ter padrões abertos para proporcionar comunicação com outras soluções, ou mesmo futuras gestões.

Regulação

André Eletério destaca que a companhia tem acompanhado de perto em Brasília as discussões sobre regulamentação de tecnologias como a de reconhecimento facial. "A Nec acha importantíssimo para o governo ir atrás dessa discussão, porque ele tem de proteger os cidadãos, então tem que regular sim", declara. O diretor tem o mesmo entendimento a respeito de Internet das Coisas. "Se não tiver regulação de IoT, por exemplo, não tem como [desenvolver a tecnologia no País]", declarou. A companhia trabalha há pelo menos 30 anos prestando serviços para governo no Brasil.

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