ViaSat aposta que comunidades carentes são viáveis no Brasil

A ViaSat, empresa parceira da Telebras e que está entrando no mercado brasileiro de serviços via satélite com o uso do SGDC, está confiante de que poderá ter retorno em todas as frentes que pretende explorar no Brasil: serviços a comunidades, atendimento às demandas da Telebras e, obviamente, serviços comerciais como comunicação embarcada, mercado corporativo e mercado de banda larga residencial. Mark Dankberg, CEO da ViaSat, é um entusiasta do modelo "community WiFi", peça central para selar a parceria com a estatal brasileira e que garantiu à ViaSat o possibilidade de usar o SGDC.

Essa tecnologia será a base dos acessos oferecidos pela Telebras aos programas governamentais Internet para Todos e Gesac, e também é parte da estratégia da própria ViaSat, que pretende levar banda larga (não necessariamente por meio do programa) a regiões carentes e remotas usando esta mesma abordagem comercial.

Para Dankberg, trata-se de uma solução que se encaixa perfeitamente no propósito da ViaSat, que é levar banda larga onde a conectividade não está disponível, seja no acesso residencial, no acesso a aviões ou aos locais em que governos e forças militares atuam. Ele reconhece que a aposta no Brasil envolve uma grande necessidade de investimento, a maior parte deles em equipamentos e serviços que serão fornecidos à Telebras sem pagamento antecipado. "Precisamos de retorno, mas acredito que o valor da Internet em áreas rurais é muito maior do que pensamos e o caminho para isso é ter um grande valor no serviço, que precisa ser barato e fácil de instalar", diz ele. Perguntado sobre a possibilidade de desistir da oferta a usuários de baixa renda caso constatem que o mercado brasileiro é mais desafiador do que pensavam, Dankberg diz que "não pretende desistir com facilidade". Para Lisa Scalpone, executiva que hoje conduz a operação brasileira, o modelo do "Community WiFi" será permanentemente ajustado para a realidade do Brasil e das diferentes regiões.

Evidentemente, uma das vantagens do modelo é, eventualmente, poder contar com isenção fiscal do ICMS por meio do Gesac. Pela política definida pelo MCTIC prevê que as operadoras que aderirem ao Internet para Todos poderão ter a mesma exceção tributária (do ICMS) prevista para os pontos do programa. Mas aderindo ao Internet para Todos a atuação da empresa fica restrita a comunidades em que não existe nenhuma conectividade, e o foco da ViaSat é buscar aquelas em que eventualmente a rede móvel até já chega, mas com qualidade muito ruim. "A gente não depende do Internet para Todos para viabilizar o 'Community Wifi', mas é um incentivo sem dúvida", diz Jeffrey Eddington, associate general counsel para o Brasil da ViaSat, que tem acompanhado de perto as questões legais e regulatórias do projeto.

Modelo popular

O Community WiFi, basicamente, é um ponto de Internet via satélite que cria um hotspot WiFi de maior potência e cobertura e que permite a venda do acesso fracionado por hora, de maneira pré-paga. A tecnologia de instalação é simples, com os mesmos equipamentos de um acesso residencial, mas com o módulo WiFi mais robusto e um software de autenticação e bilhetagem diferente.

Segundo Mark Dankberg, há muitos anos a ViaSat já tem olhado para o mercado brasileiro, mas a partir do ano passado uma conjunção de fatores aconteceu: o modelo de serviço de Internet que integra acesso por satélite à distribuição por WiFi (que a empresa chama de community WiFi) se mostrou viável na primeira experiência no México; a Telebras passou a buscar uma opção de levar a capacidade do SGDC ao mercado, com a cobertura nacional; e as pessoas passaram a ter, por meio de smartphones, uma forma de se conectar à Internet usando o wifi, mesmo onde o sinal 3G e 4G não tem boa cobertura. A ViaSat entendeu que essa  era uma combinação de variáveis que permitiria a viabilização de sua estratégia para o Brasil.

"A gente acompanha o SGDC desde que ele foi anunciado, antes até, com a Visiona. Tem uma coisa muito boa que o Brasil estabeleceu como política usar o satélite para levar banda larga onde não tem, que é algo que sempre acreditamos", diz Dankberg. Para ele, o Brasil iniciou o projeto do SGDC com uma visão (correta) da tecnologia que deveria ser utilizada, mas não tinha muita clareza de como chegar ao mercado. Ele diz que a ViaSat se apresentou justamente com esses solução, e que isso faz a parceria com a Telebras ser única.

Prioridade

Segundo Lisa Scalpone, a prioridade da empresa nesse momento é atender a todas as demandas da Telebras para a instalação de pontos do Gesac e do Internet para Todos. Os planos de desenvolvimento do mercado residencial e corporativo, bem como aviação comercial (existem negociações em andamento com empresas como a Azul, ligada à JetBlue, que já é atendida nos EUA pela ViaSat), seguem na sequência do atendimento à estatal, mas estão sendo apenas retomados agora, já que a liminar que impedia a operacionalização da parceria com a Telebras só caiu na semana passada por decisão do Supremo. (* – O jornalista viajou a convite da ViaSat)

2 COMENTÁRIOS

  1. Moro em mato grosso região de Rondonópolis queria saber quando vai chegar a internet viasat e onde adquirir um pacote de serviços por mês obrigado

  2. MORO EM UM,BAIRRO DO EXTREMO SUL DA CIDADE DE SÃO PAULO(DISTRITO DE ENGENHEIRO MARSILAC)AQUI NÃO DISPOMOS DE INTERNT OU SINAL DE CELULAR,COM CONSIGO ENTRAR CONTATO COM VIA SAT???MEU TELEFONE É 55(11)5978-6943.

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