Cerca de 41% dos provedores dependem da Embratel, diz pesquisa

Uma pesquisa realizada entre os pequenos provedores de internet traz alguns fatos interessantes e até então desconhecidos: existem 1.761 provedores que provêem serviços de banda larga, e eles estão presentes em 74,2% dos municípios brasileiros. E mais: o custo da infra-estrutura para estes provedores pode ser mais de 10 vezes mais alto em cidades fora dos grandes centros.
Os provedores pesquisados são ligados às associações Abramulti, Abranet, Abrappit, Global Info e Internetsul. O levantamento foi realizado entre janeiro e março deste ano e coordenado pelo Teleco juntamente com estas associações. Foram ouvidos 405 provedores (23% do total). São em geral micro-empresas (64,9%) e pequenas empresas (32,3%).
Esta amostra representa cerca de 250 mil a 400 mil assinantes de banda larga ativos, segundo o levantamento. Destes provedores pesquisados, 73,1% oferecem serviços de conexão com velocidades menores que 250 Kbps, 63,7% têm serviços a velocidades entre 250 Kbps e 500 Kbps e 32,2% têm serviços entre 500 Kbps e 1 Mbps. Cerca de 71% destes provedores não oferecem mais conexão discada e 68,4% prefere as plataformas de distribuição baseadas em rádio (spread spectrum).

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Maior fornecedor

A pesquisa mostrou que a Embratel é a maior fornecedora de conexão com o backbone da internet a estes provedores (41,2%), seguida da Oi (31,6%), Brasil Telecom (26,9%), Telefônica (12,3%) e GVT (3%).
O valor médio mensal pago pelos provedores por uma conexão de internet de 1 Mbps está na faixa de R$ 400/R$ 800 para 9,1% dos provedores; R$ 800/R$ 1,2 mil para 31,6% dos provedores; R$ 1,2 mil/ R$ 1,8 mil para 32,6% dos provedores entrevistados; e de R$ 3,5 mil/R$ 4,5 mil para 4,4% dos provedores.
Segundo Ricardo Lopes Sanchez, diretor da Abrapitt e membro do conselho consultivo da Anatel, nem mesmo os provedores estimavam que houvesse um número tão expressivo de clientes atendidos por estas empresas. "O número de 400 mil assinantes de banda larga deixa clara a importância do pequeno provedor. A pesquisa também deixa claro o peso do custo do principal insumo deste mercado. É um absurdo que se pague de R$ 400 a R$ 4,5 mil pelo mesmo backbone de 1 Mbps", protesta.
A pesquisa mostra ainda que para 73% dos provedores, a base de assinantes é formada 90% por clientes em áreas urbanas, sendo cerca de 70% pessoas físicas.
A maior parte dos provedores pesquisados (70%) tem a maior parte de sua base contratando serviços de menos de 250 Kbps. No caso dos assinantes corporativos, o serviço contratado está na faixa entre 250 e 500 Kbps em cerca de 48% dos provedores.
A pesquisa é parte do esforço institucional destes pequenos provedores para serem reconhecidos junto a autoridades e congressistas como um segmento importante do mercado de telecomunicações. Eles reclamam não apenas do tratamento discriminatório no caso do fornecimento da infra-estrutura pelas teles, mas também de pouca participação em discussões de políticas públicas. Temem também que políticas do governo buscando incentivar a instalação de banda larga em escolas por parte das teles acabem prejudicando os negócios destas pequenas empresas, já que se pode criar condições de competição não isonômicas.

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