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Plataformas digitais trazem desafios para o mercado da comunicação, apontam pesquisadores

Ao mesmo tempo em que as plataformas digitais forçaram a uma revisão do modelo de negócios dos meios de comunicação tradicionais, elas criam novos dilemas concorrenciais e regulatórios que ainda precisam encontrar um modelo adequado de serem endereçados pro reguladores e formuladores de políticas. A conclusão é do debate sobre regulação do novo mercado de comunicações, ocorrido durante o Seminário Políticas de (Tele)Comunicações, organizado pela TELETIME e pelo Centro de Políticas, Direito, Economia e Tecnologias de Comunicações da UnB esta semana.

O professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Cesar Ramos, lembrou que é preciso ousadia para enfrentar a atual crise paradigmática que ao mercado das comunicações vivem hoje. “Hoje precisamos enfrentar estes aspectos regulatórios de maneira radical. A crise que vivemos hoje é de paradigmas. O que nós estamos vivendo aqui agora é a necessidade de tocar diferentes questões, que são convergentes, e que necessitam de extremo aprofundamento”, defendeu o pesquisador, que é membro do Laboratório de Políticas de Comunicação (LaPCom) da UnB.

Pesquisador do Quello Center da Michigan State University, Tiago Prado, diz que a chegada das plataformas digitais trouxe um grande impacto para o mercado de comunicações ao migrarem para a Internet o modelo de negócio tradicional das mídias tradicionais. “As empresas de Internet identificaram no modelo de negócio de mídia seu modelo de sustentabilidade. O que fizeram foi uma adaptação desse modelo para a Internet”. Nesse cenário, diz o pesquisador, há uma série de desafio regulatórios que precisam ser enfrentados. “Temos pela frente os desafios regulatórios que envolvem resolver o problema da concentração dos meios de distribuição de mídia; a falta de transparência quanto aos critérios usados para moderação de conteúdo e de distribuição de conteúdos que essas plataformas fazem”, disse.

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Concentração e concorrência

A concentração é um problema do meio digital, aponta Prado, pois as grandes plataformas adquirem startups e empresas entrantes, e isso impacta diretamente na inovação. “O Google detém 30% das receitas de publicidade digital no mundo. Isso porque a nova indústria da mídia permite democratização da produção e compartilhamento de conteúdo. E também criaram um meio de personalizar a conteúdos com precisão em tempo real”.

Jonas Valente, pesquisador do LaPCom, alerta que essa disputa de mercado se dá entre grandes players de mercado: plataformas e mídias tradicionais e que a saída regulatória para o problema deve também levar em consideração pequenas mídias e pequenas plataformas. “Sempre se pensa em criar regulação para financiar grandes empresas de mídia e envolvendo grandes plataformas. E como ficam as pequenas mídias? Acho que não podemos limitar o debate sobre o discurso de perda de receitas das empresas tradicionais. Precisamos olhar esse mercado como um todo”, disse o pesquisador.

Nesse sentido, Valente defendeu que os desafios regulatórios devem observar cinco dimensões: a concorrencial, a da proteção de dados, a consumerista, a dimensão do discurso e  a dimensão da tecnologia e da inovação.

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