Positivo mira a classe média com smartphones abaixo dos R$ 1 mil

Desde que começou a comercializar celulares, em 2014, a Positivo tem uma estratégia definida: ter nesse mercado no Brasil a mesma posição de liderança obtida com a venda de PCs. O novo passo para tentar essa missão – agora dificultada com a forte presença de companhias asiáticas como Samsung e, em breve, Xiaomi – é a expansão de seu alcance para o que chama de "super gama média", ou seja, a faixa da classe média com poder aquisitivo para comprar um smartphone de até R$ 1.000 e que representaria cerca de 20% das vendas no País. Nesta terça-feira, 24, a companhia inaugurou essa etapa com o lançamento em São Paulo do Octa X800, dispositivo abaixo desse teto de preço e com o chamariz de trazer um processador octa-core.

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Mas ela não deverá parar nesse teto. A companhia acredita que ainda pode aumentar seu alcance, desenvolvendo aparelhos high-end que possam chegar até a faixa de R$ 1.499. Entre as novidades que a Positivo atualmente pesquisa, estão dispositivos com processador de 64 bits e um que promete trazer uma "nova abordagem com a TV digital", e que deverá ser o próximo modelo da companhia. Há projeto também com a tecnologia NFC, mas a empresa acredita que não é uma tecnologia que "pegou tanto, ainda não está madura", apesar das recentes iniciativas de carteira móvel com o Apple Pay e o Google Wallet.

Já o 4G deverá chegar após o lançamento da nova safra de chipsets, possivelmente da parceira atual Mediatek, com o modem LTE incorporado e que a empresa considera mais acessível – a nova linha deverá sair em maio. "O próximo dispositivo que sair com 4G terá que ser com preço quase de 3G", declara Norberto Maraschin Filho, vice-presidente de mobilidade da Positivo.

O executivo criticou muito a configuração do LTE brasileiro atual pelo uso da banda de 2,6 GHz, que oferece baixo alcance de cobertura. "A frequência ainda não tem cobertura completa. O grande sucesso virá com os 700 MHz, após a limpeza, que começa agora em novembro. Estamos envolvidos com as operadoras", detalha. A Positivo mostra às teles projetos de dispositivos e como pretende posicioná-los no mercado, segundo disse Maraschin a este noticiário. Por isso mesmo, ele garante que o próximo smartphone, que está em desenvolvimento, terá compatibilidade não apenas com a faixa atual, mas também com os 700 MHz na banda ATP e com a o espectro de 1,8 GHz (usado pela Nextel no Rio e que vem sendo testado pela TIM com refarming).

Potencial e expansões

A situação atual da economia, em especial do dólar, preocupa a companhia. Os novos dispositivos mostrados nesta terça-feira já levam em consideração a moeda americana na faixa atual (próxima de R$ 2,90), pois os aparelhos utilizam diversos componentes importados. Sem contar o cenário macro, que o presidente da Positivo, Hélio Rotenberg, configura como crise.  "Acho que o mercado está ruim, crescendo menos do que o esperado", reconhece. Mesmo assim, ele enxerga potencial no mercado nacional, o quarto maior em telefonia móvel no mundo. "Já temos números significativos, com 246 mil celulares, sendo 140 mil smartphones vendidos (no quarto trimestre)", destaca. No ano, esses números foram de 550 mil de celulares e 340 mil smartphones. "Em 2015 estaremos acelerados", prevê.

A fabricação dos smartphones continua na planta de Curitiba, enquanto a de Manaus fica com notebooks e a de Ilhéus (BA) com monitores. Internacionalmente, a companhia conta com uma unidade fabril na Argentina (com uma joint-venture com o grupo argentino BGH) e deverá inaugurar em maio uma nova fábrica na Ruanda. Ela investe também em escritórios na Ásia com a abertura de uma unidade em Shenzhen, além do já existente em Taipei.

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