Concentração nas redes móveis é o tema oculto da Futurecom

Um movimento novo pode ser percebido em diferentes discursos realizados entre as operadoras de telecomunicações durante a Futurecom e nas conversas reservadas: o de que três competidoras no mercado de telefonia móvel é melhor do que quatro, e que a ideia de partilhar a TIM entre os players existentes talvez seja uma boa ideia.

Quem primeiro lançou essa ideia foi Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, acionista da Oi, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo há algumas semanas. Durante a Futurecom, que aconteceu esta semana no Rio, Zeinal Bava, presidente da operadora, voltou a falar sobre um ciclo de consolidações que se aproxima, do qual a própria fusão entre Oi e Portugal Telecom é parte. Por parte da Telefônica, que é a maior interessada no assunto (é ela quem tem participação na Telecom Italia e que pode vir a se tornar controladora da tele), muito cuidado nas palavras ditas em público. Mas nos bastidores, a empresa não esconde que vê essa solução como um caminho natural e possível. Um graduado executivo do grupo teria dito: "ter três competidores fortes é melhor do que ter quatro onde só dois estão saudáveis". É uma posição que parte da premissa de que a Oi seguirá debilitada pela sua situação financeira e de que a situação da TIM, hoje uma operadora sem dívidas e com resultados expressivos, poderá se deteriorar caso o controlador passe a demandar mais dividendos, o que deixaria apenas Vivo e Claro "fortes".

Aliás, um grande desafio do fatiamento da TIM é a situação da Oi. Hoje, dificilmente a empresa teria condições de se capitalizar para isso, pois está no limite do endividamento e precisa se concentrar na fusão com a Portugal Telecom. E mesmo que a fusão se concretize em meados de 2014, como previsto, ainda assim a nova companhia terá uma dívida complexa de ser equacionada, ainda que tenha mais escala e maior peso. Dificilmente, com a oposição da Oi, uma venda da TIM para Vivo e Claro seria aprovada concorrencialmente, sem falar nas limitações regulatórias, como o teto de espectro acumulado por uma mesma operadora.

Carlos Zenteno, presidente da Claro, recusou-se peremptoriamente a comentar qualquer possibilidade de fatiamento da TIM. Disse que esse é um assunto exclusivo dos acionistas e que nada poderia falar a respeito. Mas também não negou que a ideia seria interessante.

No meio do caminho há o leilão de 700 MHz, uma licitação que só o governo quer realizar agora. As teles querem o espectro, mas não acham oportuno gastar mais dinheiro com licenças agora e temem que isso adicione ainda mais complexidade a uma possível solução para a TIM.

As nuvens sobre o futuro da TIM (e do mercado) começam a se dissipar no dia 7 de novembro, quando a Telecom Italia anuncia seu plano de recuperação, que pode incluir a venda de ativos, inclusive o Brasil. No mais recente movimento, segundo informações da Bloomberg, a Telefônica estaria vetando a venda da rede fixa na Itália, um movimento que coloca ainda mais pressão sobre os ativos brasileiros.

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