Claro quer blocos nacionais no 5G; SES pede banda de guarda de 40 MHz

A composição do leilão de 5G ainda não foi definida, mas a consulta pública da Anatel encerrada em abril deu espaço para críticas de cada setor. Da parte das operadoras, a Claro busca, naturalmente, maior capacidade possível, mas também evitar supostos problemas técnicos que a granularidade na faixa de 3,5 GHz poderia causar. Por sua vez, a operadora de satélites SES antevê uma necessidade de banda de guarda de 40 MHz para evitar interferências, o que reduziria sensivelmente a capacidade disponível na configuração atual.

Para a Claro, a expectativa do leilão é que os blocos sejam nacionais e, preferencialmente, de 100 MHz. O diretor de infraestrutura da operadora, Celos Birraque, explicou durante o evento online TELETIME Tec o porquê deste arranjo: sabendo exatamente a área de atuação da concorrente, é possível ter maior coordenação do uso de espectro para maximizar a eficiência. 

Notícias relacionadas

"É diferente do que se tem no 4G, no qual há um pedaço de frequência para download e outro para upload. No 5G em 3,5 GHz, tanto o down quanto o up serão nos mesmos 100 MHz", declara. "Isso demanda um sincronismo muito grande, pois se perder [a sincronia], vai ter que se deixar uma faixa de guarda e perder importante pedaço."

TVROs e banda de guarda

Diretora regulatória da SES, Michelle Caldeira afirma que o setor satelital foi pego "de surpresa" com a inclusão dos 100 MHz adicionais na proposta do edital do 5G no começo deste ano. Ela diz que isso se tornou uma complicação a mais em uma faixa que já tem problemas com a convivência com as TVROs, uma vez que estendendo entre 3,4-3,7 GHz, afeta também serviços profissionais e críticos. 

Para proteger clientes, a proposta da SES é a de utilização não apenas de filtros LNBF, mas também de uma banda de guarda que não chegou a ser prevista na consulta. "Nós propusemos pelo menos 40 MHz. Vimos estudos que falam de 20 MHz a 40 MHz, ou faixa dinâmica, que seria acomodada conforme o caso", diz. 

Caldeira ainda lembra que há limites de potência de terminais 5G que não foram definidos, e que são necessários para que as operadoras satelitais definam como alocar os clientes nos transponders. Por essas questões, o setor, por meio do Sindisat e da Abrasat, contratou uma consultoria para trabalhar com a metodologia do cálculo de compensação da migração em uma eventual limpeza do espectro, a exemplo do que foi feito nos EUA, em que a FCC propôs um modelo de indenização depois de três anos de estudos com o setor. 

Equilíbrio

Superintendente de competição da Anatel, Abraão Balbino lembra que o papel do regulador é ser um "grande equilibrista", buscando maior eficiência para o uso, enquanto tenta promover o desenvolvimento do mercado. Ele recorda que sempre houve uma questão de distribuição de espectro nos leilões recentes de 4G. "Em 2012 foi com o MMDS, em 2014 com a radiodifusão, e agora com satélite. Mas nosso problema é muito menor do que os Estados Unidos, onde o 3,5 GHz era historicamente inacessível", diz. 

Balbino diz que há um bom relacionamento com o setor de satélites, e que ainda nesta semana terá uma reunião com a consultoria contratada pelas empresas. As complicações, afirma, serão eventualmente resolvidas, incluindo a metodologia do cálculo da indenização pela migração. "Esperamos que a indústria satelital tenha também bom senso e a gente consiga trabalhar. Compensação é importante, mas não queremos exaurir todo o leilão para isso, porque entendemos que isso não vai fazer sentido", avisa. 

Michelle Caldeira respondeu que o caso do setor satelital é diferente pelos planos de investimentos de longo prazo: o satélite da SES lançado em 2018 ainda tem expectativa de operação até 2029. "Acho que qualquer indústria precisa de garantia", declara. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.