Motorola do Brasil desenvolve próxima geração de smartphone

A Motorola anunciou nesta terça-feira, 23, que, desde o segundo semestre de 2014, dobrou a área de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Isso se reflete não apenas nos projetos, mas no quadro de colaboradores e parcerias com instituições e universidades. Com isso, a fabricante deverá usar o P&D brasileiro para contemplar projetos internacionais para os mercados da América do Norte, Europa e Ásia. Apesar de ser mais focado atualmente em software, um dos trabalhos deve ser um modelo da próxima geração de smartphones.

O diretor de P&D da Motorola, José Soares, não confirma, mas declara que a empresa começou agora um grupo brasileiro de pesquisadores em experiência e design com intuito de desenvolver um aparelho. "Ele (o grupo) está começando a desenhar o hardware do produto para as próximas gerações". Ele não revela qual seria o modelo, dando a entender que poderia ser uma atualização de algum celular da linha. A pesquisa aborda "o entendimento das necessidades do usuário, trabalhando para as próximas gerações do produto".

Dessa forma, esse novo aparelho seria apresentado não apenas para o mercado brasileiro, mas de olho em lançamento global. Soares ressalta, entretanto, que a ideia da área de P&D em geral não é focar apenas em dispositivos de entrada, como o Moto E e o Moto G. "O desenvolvimento vai ser aplicado a telefones de todo o espectro, não será focado em segmento. O laboratório e outras frentes são capazes de suportar outras áreas, que cobrem todo o portfólio de produtos."

Outras pesquisas

A área de P&D trabalha com mais de 30 projetos, a maioria na camada de software de aparelhos móveis, incluindo áreas novas como software embarcado, processamento de imagem, big data, cloud, design, pesquisa e experiência do usuário, além de tecnologia e serviços 4G. Segundo explica José Soares, a ideia é buscar especialistas em cada área, "seja no meio acadêmico ou em institutos de pesquisas".

Um deles é a adaptação do sistema operacional Android em diferentes hardwares. O diretor da companhia lembra que é necessária "uma engenharia bastante sofisticada" para oferecer desempenho bom para o consumidor, mesmo que o OS seja o mesmo de outros aparelhos. Isso explica, por exemplo, a demora da fabricante em liberar a atualização do Lollipop para o high-end Moto Maxx em relação a outros aparelhos como Moto G.

Entre os projetos está o uso de computação na nuvem para buscar melhor experiência na utilização dos dispositivos. Soares cita como exemplo as melhorias recentes aplicadas ao Google Now e ao Google Photos, que utilizam análise de big data para oferecer buscas por contexto. Uma das ideias é aplicar às aplicações que a Motorola instala em seus aparelhos com Android praticamente puro, como o Moto Assist e o Moto Voz.

A companhia também criou um laboratório para desenvolver e otimizar soluções de processamento de imagens. O diretor de P&D da companhia diz que essa unidade irá trabalhar tanto na parte de pós-processamento quanto na interface do aplicativo de câmera – a solução adotada pela Motorola em seus últimos aparelhos foi criticada por apresentar poucos recursos adicionais.

Entre os projetos globais já realizados no Brasil estão soluções de simulação de chamadas em rede 4G (VoLTE) e seleção automática de chip em aparelhos dualSIM, presente no novo Moto E no Brasil e na Índia.

Expansão

O escritório, localizado em Jaguariúna e São Paulo, conta com engenheiros de hardware, software, sistemas e designers. Ao todo, são 350 profissionais, incluindo colaboradores de universidades e institutos e equipe interna (que conta com cerca de 80 pesquisadores).

Somente na parceria com o centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foram investidos R$ 40 milhões para um laboratório de simulações e testes para a validação de telefones para redes 4G, algo que antes era restrito aos Estados Unidos. "Não tínhamos no País um laboratório com toda a capacidade de simulação de rede para testar o telefone e inserir outras condições que possam estressar o funcionamento do aparelho; desenvolver novos algoritmos e protocolos que otimizem o funcionamento em condições de ruído e de congestionamento de sinal em determinado momento", declara Soares.

A companhia conta com parcerias com institutos e universidades como Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Centro de Inovação Tecnológica em Campinas (Venturus), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Flextronics Instituto de Tecnologia (FIT) e CI&T Software. A Motorola ainda tem parceria com o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.), o próprio CIn da UFPE e o Instituto de Pesquisas Eldorado.

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