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Para CEO da Obvious, modelo de redes neutras muda o jogo para novos players, mas há riscos

Uma das promessas do modelo de redes neutras é a possibilidade de surgimento de empresas 100% digitais, sem rede própria, mas que atuarão de maneira competitiva na prestação de serviços de banda larga. A Obvious foi a primeira empresa a entrar no mercado com esse modelo, ainda em 2022, como uma das primeiras parceiras de uso da rede da V.tal. Lançada em maio de 2022 inicialmente em Serra/ES, a empresa completa 10 meses de operação com cerca de 100 cidades com cerca de 16 mil clientes, e uma visão bastante realista do mercado. Esses primeiros meses, segundo seu CEO, Gonzalo Fernandez Castro, foi de preparação e aprendizado. “O modelo que buscamos foi para conseguir escala nacional. Nessa primeira fase tivemos um trabalho adicional de desenho de plataformas e sistemas necessários para nosso funcionamento”.

O executivo é um entusiasta do modelo de redes neutras, onde enxerga um potencial disruptivo relevante. “Entendo que o modelo verticalizado de telecomunicações está sendo desconstruído. O modelo de redes neutras mudou tudo. Podemos dizer que as redes neutras vieram para ficar pelo peso econômico dos acionistas e pela quantidade de homes-passed que já foram incorporados às primeiras redes. É um modelo que muda o jogo  e permite um modelo mais horizontal, em que podemos focar em qualidade e excelência de serviços”.

Churn e inadimplência

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Ele reflete sobre o papel desse novo modelo especialmente para o mercado brasileiro. “O modelo de redes neutras de fibras no Brasil pulou várias etapas que vemos em outros países, talvez porque a situação da Oi fez o mercado acelerar. A V.tal é uma empresa 100% neutra e sem controle de uma tele, e é uma das maiores redes do mundo. Na Itália e Reino Unido, onde o modelo começou antes, estão algumas etapas atrás”.

Segundo ele, o mercado de telecom tem um grande potencial: “poucos players e muita insatisfação, o que abre um espaço enorme para a disrupção. Por outro lado, é um mercado intensivo em Capex. A vantagem é que as redes neutras mudam essa lógica”. 

A Obvious nasceu, segundo Fernandez Castro, com o propósito de democratizar o acesso aos serviços digitais por meio da banda larga. “É um propósito maior, que vai além de uma estratégia comercial, é um compromisso com a sociedade”. Segundo o executivo, essa estratégia passa  inclusive pelas classes C e D. 

Mas ele chama a atenção para alguns riscos. “O que sabemos é que é um mercado em que é preciso um cuidado muito grande com o churn e com a saúde da base. Por isso, mesmo para uma operadora pequena, data analytics é essencial. Os índices médios no mercado são de churn em torno de 3% e 20% de inadimplência no primeiro pagamento. É difícil parar em pé nessas condições. Por isso trabalhamos para ficar bem abaixo das médias, e estamos conseguindo”. Segundo ele, a inadimplência é um grande problema para o setor e é onde está o foco de atenção da Obvious. “A indústria tem um grande vício de brigar por preço, falta de cuidado com os clientes e pouca atenção ao financiamento da instalação e aquisição num modelo sustentável, inclusive por parte dos fornecedores”. Para ele, o segredo está no atendimento e na atenção ao cliente. “É meio óbvio isso, mas é importante. Daí o nosso nome”. 

Fernandez Castro tem como  background uma atuação relevante como gestor de grandes fundos de private equity no passado (ele foi um dos principais gestores do Partner Group, por exemplo, uma das maiores investidoras em equity no mundo), e consultoria estratégica (McKinsey). Além disso, seus acionistas aportam experiência em private equity e telecomunicações, diz ele, sem dar detalhes. 

Mercado restrito

“As empresas de telecom buscam capital e o mercado está mais restritivo agora, sobretudo depois da alta dos juros nos EUA. Telecom não é um mercado óbvio para venture capital, por isso precisamos educar o mercado. O senso de urgência do mercado de investir em redes de fibra mudou, o que não quer dizer que o mercado tenha se fechado. Só está mais seletivo”, avalia ele. Segundo ele, o pioneirismo da empresa no uso das redes neutras e a falta de referências internacionais tornaram a captação de recursos para a própria Obvious mais desafiadora.

Sobre os planos futuros, o executivo vê a Obvious como uma viabilizadora (enabler) do acesso de empresas que queiram explorar o mercado de banda larga fixa e não sejam do ramo de telecomunicações nem estejam preparadas para isso. “Nossa vantagem foi sair do zero sem sistemas legados. Buscamos um stack tecnológico multi escalável e multiproduto. Trouxemos para o nosso time muitos executivos com experiência no modelo. As operadoras neutras ainda não conseguiram unificar um sistema só, já maduro, e a gente precisa ajudar muito ainda nessa integração. É uma operação relativamente complexa, por isso acredito que as redes neutras não poderão abrigar muitos clientes ao mesmo tempo na mesma localidade. Tem uma gestão complexa de postes e portas ópticas, por exemplo”.

Modelo de FVNE

“Seremos uma espécie de FVNE (Fixed Virtual Network Enabler) para outras empresas e para outros setores que queiram oferecer o serviço de banda larga. Teremos um papel relevante nesse sentido”, diz ele, em comparação com a figura dos MVNEs em redes móveis. Nessa estratégia está prevista a ampliação da rede da Obvious para outras parcerias além da V.tal. “Vamos operar em outras redes e já estamos em negociação”, diz Gonzalo Fernandez Castro.

Se para os primeiros clientes o foco foi a diferenciação nos serviços e a oferta de alguns diferenciais como bundle de programa de fidelidade, os próximos passos preveem a incorporação de serviços digitais. Sem dar detalhes, ele dá uma dica: o primeiro passo está no streaming e na oferta de conteúdos. “É uma caminho natural porque são produtos muito demandados e que agregam muito valor à oferta de banda larga” .

Ele também vê a Obvious explorando outras tecnologias de acesso no futuro. “Temos que ser agnósticos do ponto de vista tecnológico, e o acesso FWA, por exemplo, pode fazer muito sentido em algumas situações”.

Evento

O CEO da Obvious contará parte de sua experiência e dos planos de expansão no próximo Forum de Operadoras Inovadoras, realizado pela TELETIME e pelo Mobile Time em parceria, em São Paulo, nos próximos dias 22 e 23 de março. O evento discute temas relacionados à realidade de novas operadoras no Brasil, da adaptação às redes neutras ao mercado de Internet das Coisas, passando pelo segmento de WiFi, MVNOs e redes privativas. O evento discute ainda as perspectivas do mercado de FWA e uso de espectro não licenciado. Mais informações sobre a programação, nomes confirmados e condições de inscrição estão disponíveis no site www.operadorasinovadoras.com.br

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