Consumo de energia do 5G aumenta busca por eficiência entre operadoras

A chegada do 5G no Brasil também deve acirrar a busca das teles por medidas de eficiência energética, uma vez que a nova tecnologia deve exigir um consumo bem mais intenso do insumo.

Durante o evento Teletime TEC, Claro, TIM e Huawei afirmaram que um ponto de equilíbrio entre "créditos e débitos" do 5G no quesito ambiental é possível. Diretor de tecnologia da Claro, Luiz Fernando Bourdot, contudo, classificou o objetivo como desafiador.

"O 5G vai tornar processos mais eficientes, com impacto ambiental [positivo] e como tecnologia, será um aliado. Por outro lado é um desafio, porque pode adicionar pelo menos 2,3 mil watts de consumo por estação, com impacto muito grande. Além disso, boa parte do 5G são workloads em data centers, desde nacionais até o edge, em cargas até a ponta que antes não existiam", pontuou o profissional.

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"Esse equilíbrio entre eficiência e carga de energia tem que ser endereçado", prosseguiu Bourdot, notando que na Claro, a estratégia passa por fontes de energia renováveis. Ao lado de parceiros, a operadora tem 58 usinas de geração distribuída em diferentes modalidades (solar, eólica, biogás, entre outras) que atendem 60% das estações radiobase (cerca de 10 mil) e 40% do consumo total de energia do grupo.

A empresa ainda adquire 28% do consumo total via fontes renováveis no mercado livre, se aproximando assim da meta (fixada em 2017) de 80% da demanda oriunda de matrizes limpas até 2025. Dada a abrangência de seu programa de geração distribuída, a Claro também cogita atuar como geradora de créditos de carbono para terceiros.

Ao todo, as medidas de eficiência energética da empresa podem alcançar economias de até R$ 540 milhões por ano, segundo o diretor de tecnologia. Os valores ilustram a relevância do componente no custo das operadoras mesmo antes da chegada do 5G.

TIM

Diretor de engenharia de rede da TIM, Marco di Costanzo notou que energia equivale a cerca de 10% dos custos totais da empresa. "Mas se colocar na balança, acredito que o crédito com a tecnologia vai ser maior que o débito", afirmou o executivo.

Costanzo lembrou que a tecnologia terá um custo energético por byte bem mais eficiente; ainda assim, o consumo unitário por estação deve aumentar consideravelmente, sobretudo pelo maior número de transmissões simultâneas de um rádio 5G frente a um 4G. Por isso, a empresa tem buscado formas de consumir melhor os recursos. Uma das estratégias é desativar o uso de tecnologias legadas, inclusive a partir de acordos de compartilhamento como o existente ao lado da Vivo.

Para Costanzo, a própria migração de funções de rede para a nuvem seria um fator habilitador de menor consumo (visto a escala dos principais provedores de cloud), além da opção por novas tecnologias inovadoras. A TIM vai terminar o ano com 50 estações off-grid baseadas em energia solar, além de estar trabalhando no desenvolvimento de uma estação baseada em energia eólica.

Assim como na Claro, a opção pela geração distribuída também é relevante. A TIM reporta 60 usinas para atendimento da demanda interna. No fim do ano passado, a empresa tinha 64% do consumo oriundo de energia renovável; a meta é alcançar 90% em 2025 e a posição de carbono neutro em 2030.

Fornecedores

"Se as operadoras fizerem o 5G 'ipsis litteris' em cima do que ocorre hoje, vai ter aumento de consumo de energia. O desafio é fazer implementação sem esse aumento na ponta", resumiu o diretor de digital power da Huawei, Luciano Santos do Rego. A unidade concentra o portfólio da fornecedora para eficiência energética.

Para tal, a empresa defende o uso de tecnologias mais eficientes, como sistemas baseados em baterias de lítio ou híbridos, além de ferramentas de gerenciamento. As tecnologias poderiam ser utilizadas em novas implementações e gradualmente serem introduzidas no legado das teles, segundo Rego.

O executivo notou que o contexto global tem impulsionado a demanda por soluções de consumo eficiente, inclusive se tornando um componente financeiro relevante. Durante o Teletime TEC, as operadoras mencionaram linhas de crédito e debêntures atreladas a metas ESG como possibilidades.

Pelo lado técnico, a Huawei ainda implantou feature ao lado da Claro em mais de 8 mil ERBs, permitindo economias de R$ 6,7 milhões com energia por ano, segundo a operadora. Processo similar foi feito ao lado da Ericsson em 6,5 mil estações, com economia de R$ 5,1 milhões ao ano para a Claro.

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