WRC-19 identifica 17,25 GHz de espectro adicional para aplicações 5G

Foto: Pixabay

Encerrada nesta sexta-feira, 22, após quase um mês de discussões em Sharm El-Sheikh, no Egito, a Conferência Mundial de Radiocomunicações (WRC-19) da União Internacional de Telecomunicações (UIT) identificou 17,25 GHz de espectro adicional em diversas bandas para futura utilização em aplicações 5G.

Os intervalos de espectro classificados na ocasião como IMT-2020 estão em 24,25-27,5 GHz (que no Brasil já faz parte do planejamento para o leilão 5G); 37-43,5 GHz; 45,5-47 GHz; 47,2-48,2 GHZ; e 66-71 GHz. Neste último caso, a decisão está em linha com proposta levada pela Anatel à conferência.

Em comunicado, a UIT destacou que os 17,25 GHz identificados para uso em aplicações móveis superam e muito o 1,9 GHz de banda disponível para o mesmo fim antes da WRC-19. Do total de espectro agora classificado como IMT-2020, "14,75 GHz já foi harmonizado mundialmente, alcançando 85% de harmonização global".

"A WRC-19 tomou medidas para assegurar uma proteção apropriada para o Earth Explorations Satellite Services [EESS], incluindo satélites meteorológicos e outros serviços passivos em bandas adjacentes", prosseguiu a entidade.

Também foi definido um plano de estudos para identificar frequências para novos componentes das redes de quinta geração como as estações IMT de grande altitude (High Altitude IMT Base Stations, ou HIBS), que podem ser usadas como complemento às redes móveis terrestres, conectando áreas desassistidas. Com o início das atividades comerciais 5G, a UIT vai avaliar quais bandas são candidatas para tais propósitos.

O documento final com os resultados da WRC-19 ainda está em elaboração; em paralelo, o grupo de trabalho da UIT responsável pelo IMT-2020 seguirá avaliando a aplicação prática das identificações. A expectativa é que este trabalho seja concluído em fevereiro próximo, permitindo a finalização dos padrões 5G em 2020.

Em comunicado, a GSMA (principal entidade de operadoras e fornecedores de telecom) classificou os resultados da WRC-19 como animadores e capazes de desbloquear o potencial transformador do 5G. Para a associação, os países participantes conseguiram alcançar um equilíbrio entre a abertura de novas oportunidades para redes de quinta geração e a proteção de serviços existentes.

HAPS

Durante a conferência, a identificação de espectro adicional para sistemas de grande altitude (High Altitude Platform Station, ou HAPS) também foi definida. Os delegados da WRC-19 concordaram com a alocação entre 31-31,3 GHz e 38-39,5 GHz em caráter global para este fim, além de confirmarem a identificação das bandas 47,2-47,5 GHz e 47,9-48,2 GHz, disponíveis também mundialmente.

Já na região 2, onde se encontram o Brasil e os EUA, a banda entre 21,4-22 GHz e 24,25-27,5 GHz também estará disponível para os sistemas de grande altitude. Implementadas na estratosfera (em alturas de 20 a 25 km do solo) a partir de drones ou outros veículos aéreos, as estações do gênero podem prover conectividade e backhaul mesmo em casos de mínima infraestrutura terrestre. Segundo a UIT, o tema é estudado pela entidade desde 1996.

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