AT&T usa Fórmula 1 como laboratório para serviços corporativos

Em plena semana do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, o piloto alemão Sebastian Vettel da Red Bull Racing (RBR) chega a São Paulo no final da temporada em uma disputa acirrada com o piloto espanhol Fernando Alonso, da Ferrari. Por trás disso tudo, a tecnologia de telecomunicações utilizada para levantar dados pode significar o ganho de tempo suficiente para declarar Vettel como campeão. Essa missão na RBR fica a cargo da AT&T, que, em contrato "multianual" com a equipe britânica, fornece infraestrutura e serviços como videochamada em alta definição, telemetria e comunicação via túnel virtual privado (VPN) na rede. Tudo com o máximo de banda e menor latência possível.

Segundo a diretora global de estratégia e eventos e porta-voz da AT&T, Pia Jensen, essa não é uma realidade distante do que acontece em empresas em diversos países. Mesmo sem atuar como operadora de telefonia móvel no Brasil, a companhia norte-americana oferece soluções de comunicações corporativas no País e utiliza a experiência com a RBR para refinar serviços e replicar soluções em outros cenários. "Os serviços que estamos usando aqui são os mesmos que qualquer companhia pode usar globalmente", garante.

Entre os serviços prestados, a AT&T fornece comunicação via fibra de parceiros para datacenters na Inglaterra e para a fábrica da Red Bull Racing em Milton Keynes, região central inglesa. Lá, engenheiros da equipe especializados podem monitorar em tempo real dados de treinos e corridas – a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) limita o número de profissionais nas corridas a 45 pessoas por equipe. Informações de telemetria de comportamento de carro, assim como imagens em HD da performance na pista, são enviadas e analisadas. Como são dados sensíveis, é um tipo de comunicação que não pode contar com imprevistos e apagões. Por isso utilizam o VPN para uma comunicação segura. Além disso, reuniões entre os mecânicos, engenheiros e pilotos são feitas por videoconferência, também em alta definição.

A estratégia da companhia norte-americana tem dado certo também na infraestrutura de telecomunicações para os próprios circuitos. O Circuito das Américas, no estado norte-americano do Texas, estreou na prova da semana passada e conta com mais de 160 km de cabos internos e 32 km de fibra da AT&T somente para atender ao local, que também vai receber provas de Moto GP, American Le Mans e eventos musicais.

"A cada ano, mandamos mais capacidade na rede disponibilizada, e isso vai se tornando cada vez mais importante. Anos atrás, os times utilizavam comunicação via satélite, depois ISDN (rede integrada de serviços digitais) e era difícil ter capacidade para o tráfego. É incrível o que podemos medir em um carro de Fórmula 1, chega a cinco mil pontos de coleta de dados", explica Pia Jensen. "A AT&T precisa mostrar que a rede é confiável, é bom para nós".

Velocidade final

O executivo de parcerias técnicas da Red Bull Technology, Alan Peasland, concorda. "O carro precisa ser confiável e seguro e somos abertos a soluções criativas como da AT&T", diz. Ele explica que, com a mudança de regras da categoria nos últimos anos, as equipes têm cada vez menos tempo para acertar as regulagens dos carros, o que torna a coleta e análise de dados mais importante. Para dar tempo hábil de mudar estratégias de corrida, o tempo que essas informações levam para percorrer o planeta até a Inglaterra e voltar ao Brasil, por exemplo, são fundamentais. "Antigamente levávamos quatro voltas para tomar essas decisões com base em dados, agora é o tempo de apenas uma".

Outro ponto levantado por Peasland é a utilização de dispositivos móveis para os trabalhos internos. A RBR está discutindo com a AT&T atualmente para implementar em um futuro próximo também soluções de comunicações para tablets, além do uso da rede com smartphones corporativos que deverá entrar em operação já em 2013. Segundo Pia Jensen, o contrato deverá ser mantido até para continuar melhorando os serviços prestados. Outros times mais modestos na F1 costumam apenas usar a infraestrutura e serviços de operadoras locais, podendo trazer resultados inconstantes. "A AT&T provê uma rede segura global, porque nosso ponto de acesso está em todo lugar e temos parcerias que provê redes como se fosse nossas", explica a executiva. Se isso vai ser fundamental para o alemão Sebastian Vettel conquistar o título, só será revelado no próximo domingo.

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