TIM: 5G traz mais capacidade de espectro para atender a demanda

Embora o leilão de 5G ainda tenha data incerta na Anatel, o mercado brasileiro está se preparando para os primeiros casos de uso da tecnologia, que incluem a expansão da última milha no acesso fixo-móvel (FWA), além de aplicações possíveis graças à velocidade e latência das novas redes. Mas além dos casos de uso diretos, haverá impacto indireto para endereçar a demanda de dados simplesmente pela maior oferta de capacidade, na opinião do CTIO da TIM, Leonardo Capdeville.

Para o executivo, o 5G não servirá apenas como uma nova geração, mas também no contexto maior da demanda por capacidade, quantidade de dispositivos conectados e volume de dados. "O 5G está associado a novo espectro, a gente precisa disso para capacidade. Pode dar para fazer com 4G, mas daqui a pouco essa capacidade chegará no limite. O 5G vai significar mais capacidade disponível para o wireless", declarou ele nesta segunda, 22, durante evento online TELETIME Tec

Capdeville diz que no momento de pandemia atual, se as redes ainda estivessem no 3G, "já teria colapsado". Assim, prevê que o aumento de oito a dez vezes no volume de tráfego previsto também vai demandar mais do que o LTE é capaz de entregar. "É no máximo de 20 MHz de banda. No 5G a gente fala de 100 a 200 MHz", explica.

Internet fixa

O uso do acesso fixo-móvel (FWA) poderá ser um dos primeiros casos da quinta geração para substituir a última milha em outras tecnologias. 

Segundo o diretor de governança de cibersegurança global da Huawei, Marcelo Motta, citando um estudo alemão de 2017, o custo estimado para cobrir todas as residências na Alemanha com fibra era entre 72 a 96 bilhões de euros. A pesquisa verificou que o Capex por usuário no 5G seria duas vezes menor do usando a fibra, e de quatro a cinco vezes menor do que micro-ondas. "Portanto, o FWA é um caso bastante importante sim, e pode permitir que a operadora chegue a esses usuários com taxas mais altas e SLA melhor. Vai ser um caso bem importante aqui no Brasil", declara.

Motta diz que isso considera o começo das aplicações de 5G. A Huawei enxerga a tecnologia como "enabler" para outras aplicações, e tem focado em cinco áreas: realidade virtual e aumentada (VR/AR); robótica e automação; área de saúde; drones conectados;  e veículos conectados. 

O diretor da empresa diz que algumas dessas aplicações poderiam sim ser feitas já com 4G ou 4,5G (LTE-Advanced). "Mas em função da eficiência energética, throughput e baixa latência tem uma série de novas aplicações que podemos viabilizar". 

Para o diretor de negócios da Nokia, Luiz Tonisi, a banda larga móvel não será o "killer app" do 5G, mas sim o acesso fixo-móvel para endereçar a carência de infraestrutura fixa no País. "Tem que ver que no Brasil, o custo de fibra área é três vezes menor do que na Europa", declara. O entendimento é que as condições de implantação da rede – sem necessariamente enterrar cabos – e os custos de terminais de fibra mais baixos do que os de FWA seriam, por enquanto, a diferença. "O turnpoint é mais próximo, e, na medida em que amadurece, o custo de acesso vai baixando ao ponto de que talvez a CPE seja até mais barata. Então o 5G vai ser um complemento do FTTH", avalia.

A Nokia vê o 5G em etapas evolutivas: 

  • continuidade da prestação de serviços, talvez já com mudança de modelos de negócio;
  • FWA, que "ainda tem espaço grande no Brasil como complemento"; 
  • Uso de 5G para Internet das Coisas que já não poderia ser atendido com 4G;
  • Aplicações das ondas milimétricas (mmWave), com 400 MHz de capacidade, permitindo latências menores do que 1 ms e throughput acima do que que o 3,5 GHz será capaz de entregar.

Acessos

O presidente da Ericsson Latam Sul, Eduardo Ricotta, diz que a empresa estima em 13 milhões de acessos 5G ao final de 2019, mas com a previsão de encerrar este ano com 190 milhões, chegando a 2,8 bilhões em 2025. O executivo entende que a maturidade da tecnologia deverá chegar por volta de 2023. 

Por outro lado, a tecnologia de quinta geração terá uma expectativa de vida maior do que anteriores, argumenta Ricotta. "Quando se fala em standards do 4G, era tecnologia para seis a oito anos. No 5G, é de 12 a 14 anos. O ciclo de vida é maior, e vai levar muito tempo para ter plenitude e maturidade", diz. Luiz Tonisi, da Nokia, concorda que a tecnologia será de longo prazo, que poderá acabar se estendendo no País. "Para o Brasil, talvez mais de 12 a 14 anos", prevê.

De acordo com levantamento da Huawei, o 5G lançado na China em outubro do ano passado já tem 60 milhões de acessos em maio. "A previsão é de 200 milhões já neste ano", afirma o diretor de governança de cibersegurança global da Huawei, Marcelo Motta. Para tanto, o país está tentando fazer o salto de 200 mil estações radiobase para 1 milhão. 

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