Modelo híbrido será caminho para redes privadas em 5G, avalia indústria

As verticais da economia com interesse no 5G, as fornecedoras de equipamentos e mesmo a Anatel acreditam que a consolidação das redes privadas no País não ocorrerá através de um único formato. Ao invés disso, um modelo "híbrido" (tanto com redes contratadas das teles quanto compartilhadas ou 100% privadas) deve ser o caminho a ser seguido.

Durante o evento online TELETIME Tec realizado nesta segunda-feira, 22, o tema foi abordado pela Neoenergia, que acaba de iniciar a operação de uma rede LTE privada para sua operação de distribuição de energia. Segundo o superintendente de smart grid da empresa, Heron Santana, requisitos técnicos (como garantia contra interrupções a baixa latência) guiaram a decisão de tocar o projeto sem parceria com operadoras, ainda que um caminho diferente seja possível.

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"Decidimos por internalizar esse conhecimento, mas isso significa que vamos implementar apenas redes privadas? Não, pois acreditamos no modelo híbrido. Onde temos requisitos particulares, em alguns casos a rede da operadora não vai nos atender, mas em outros, vamos compartilhar", afirmou Fontana. A possibilidade de compartilhamento da rede própria com terceiros também é considerada, na medida que a regulamentação (de telecom e elétrica) for ajustada para tal. 

Uso primário

No caso do projeto já em curso, uma licença experimental em 3,5 GHz está sendo utilizada. A empresa, contudo, vê como ideal o acesso à espectro em banda baixa, ou abaixo de 1 GHz. Ecoando outras associações de verticais, Fontana também lembrou que o desejo da cadeia produtiva é a garantia de uso primário, e não apenas secundário, das radiofrequências.

"A gente entende que para missão crítica não é adequado [apenas o uso secundário], pois agrega riscos para negociação e para prestação de serviço", afirmou o executivo. No caso de espectro dedicado para missões críticas, uma participação da empresa no leilão de 5G seria inclusive possível. "Já no modelo 5G [atual], não temos como competir com operadoras".

Também durante o TELETIME Tec, a Anatel disse que está estudando garantias de uso mais seguro em caráter secundário para verticais, bem como abordou as possíveis faixas que podem abrigar a funcionalidade. Uma destinação exclusiva já no primeiro leilão 5G, contudo, não foi garantida. 

Desafio

Superintendente de outorgas e recursos à prestação da Anatel, Vinicius Caram afirmou que, com novas padronizações e com o network slicing (fatiamento de redes), as operadoras poderão garantir a customização, baixa latência e outros requisitos requeridos pela indústria. "As operadoras têm que buscar atender esse SLA [nível de serviço] que a indústria exige", pontuou Caram, afirmando que, caso contrário, soluções standalone serão buscadas pelas verticais. Segundo o superintendente, tal SLA diferenciado não feriria a neutralidade de rede.

Vice-presidente de redes e serviços gerenciados da Ericsson, Marcos Scheffer também destacou que endereçar o mercado de verticais é necessário para a trajetória das operadoras no 5G, podendo garantir um aumento de 35% nas receitas durante os próximos anos. "Mas também não acreditamos em modelo único: vai acabar sendo um modelo híbrido", afirmou o executivo.

Exemplos da experiência da própria fornecedora foram citados: se na França uma gestora de três aeroportos recebeu licença para operar radiofrequências por dez anos para uso próprio, na Alemanha, uma complexa operação de indústria 4.0 está sendo realizada por uma parceira da Ericsson em cima da rede de uma operadora local.

Já o head de tecnologia da Nokia na América Latina, Wilson Cardoso, avaliou que há possibilidade de envolvimentos das operadoras mesmo no cenário de redes 100% privadas. "É preciso 'socializar e federalizar' os dados para ganhos de produtividade. Dentro de uma mina, essa informação não muda quase. O mais importante é conectar isso com todo o sistema de logística".

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