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Verticalização e expansão geográfica marcam estratégias das empresas de satélite

O mercado de satélites é, de maneira geral, uma indústria com alcance quase sempre global. Mas se até alguns anos atrás esse era um mercado de venda de capacidade satelital para clientes espalhados em todo o mundo, a tendência de verticalização e prestação de serviços em escala global parece ter ganho mais relevância. Durante a Satellite 2022, dois acordos importantes que sinalizam o caminho de verticalização do mercado foram fechados.

A SES anunciou a aquisição da Leonardo DRS, uma prestadora de serviços dos EUA focada no mercado de governo e controlada pelo grupo Leonardo (que também controla outras empresas importantes de prestação de serviços satelitais, como a Telespazio). Outro acordo foi a compra pela Hispasat da Axess Networks, prestadora de serviço com forte atuação na América Latina.

Segundo Ana Maria Molina Sanchez, diretora de estratégia e transformação da Hispasat, a aquisição da Axess é um passo importante nesse movimento do mercado de satélites em relação a uma integração completa. “A empresa vai continuar operando de forma separada e independente, mas vamos buscar as sinergias possíveis, como o uso da nossa capacidade, compartilhamento de teleportos e outras estruturas. Esse é o caminho que a indústria de satélites encontrou para se fortalecer e diversificar, já que a tendência é que o preço por Mbps seja cada vez menor”.

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Brasil é referência

Mas a internacionalização e diversificação dos negócios das operadoras de satélite não para por aí. Três importantes empresas que hoje atuam nos EUA diretamente no atendimento ao consumidor final, serviços corporativos e governos, usaram inclusive o Brasil como exemplo de expansão: Viasat, Hughes e inclusive a recém chegada Starlink, de Elon Musk.

Para Mark Dankberg, presidente da Viasat, o Brasil é um ótimo exemplo de como a empresa desenvolveu um mercado local. “Mais importante do que a forma como se entra em um novo mercado internacional é a forma como coopera com os atores locais, e estamos muito felizes com as parcerias que fizemos no Brasil com a Telebras para o SGDC”, disse ele.

Para Pradman Kaul, a experiência do Brasil mostra o caminho de desenvolvimento dos negócios internacionais da Hughes. “O mais importante é desenvolver um modelo de parceria local, porque é isso que traz o sucesso”, disse ele, lembrando que a Hughes chegou a mais de 250 mil clientes finais no Brasil muito antes das expectativas da empresa, o que é considerado um case para outros projetos de expansão da empresa na África e Índia.

Steve Collar, CEO da SES, vai na mesma linha. “O que vemos é que o desenvolvimento das as parcerias certas é importante para entrarmos em mercados locais”, disse ele, exemplificando com o acordo de compra da DRS no mercado norte-americano.

Até mesmo para a recém-chegada Starlink o Brasil é um exemplo. Gwynne Shotwell, CEO da empresa, mencionou o esforço de lançamento de operações internacionais e a importância desta expansão para a Starlink, e em conversa com TELETIME disse que o Brasil é uma das prioridades da empresa, sem dar detalhes da data de lançamento. A executiva disse que a forma de desenvolver os mercados internacionais da Starlink é, primeiro, entender as regras locais e a atuação dos reguladores, e ao mesmo tempo entender que tipo de produto pode ser adequado a cada uma das localidades. “Sabemos que não existe uma solução única para todos os países, mas vamos sempre procurar os mercados onde existe uma demanda e onde sabemos que somos necessários”, disse a executiva em painel na Satellite 2022.

Segundo apurou este noticiário, desde que foi autorizada pela Anatel a operar no país em fevereiro, a Starlink já licenciou 15 estações que devem funcionar como gateways no Brasil e existe o cadastro de pelo menos 300 estações, usadas nesse momento para testes do serviço.

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