Em parcerias ou sozinhas, PPPs avaliam como participar do leilão do 5G

Foto: Pixabay

A participação de provedores regionais no leilão de 5G dependerá de como estará o edital aprovado, incluindo não apenas o preço final das licenças, mas também as obrigações atreladas. Isso também influenciará a forma como as empresas poderão concorrer aos blocos regionais definidos pela Anatel. No caso da pernambucana Um Telecom, a viabilidade pode vir com parcerias, seja com outras prestadoras de pequeno porte (PPPs), seja com fundos de investimento.

"Sozinho, acho difícil para as competitivas do porte da Um. A gente vem conversando com empresas do Ceará, Paraíba e São Paulo", revela o CEO da operadora, Rui Gomes, durante painel do Fórum de Operadoras Inovadoras nesta segunda-feira, 22. "Hoje, para fechar a conta, tem que fazer isso em consórcio." A companhia diz que o edital aprovado pela Anatel é complexo, e por isso tem estudado de forma minuciosa as informações disponíveis até que o TCU aprove a versão final. 

Há ainda a possibilidade de parcerias com outras empresas no atacado. "Tem a possibilidade de a rede toda fornecer conectividade para torres como da Highline. E tem a questão do uso secundário do espectro, o qual a Anatel precisa criar regras. Vejo diversas oportunidades, mas tem que ser bem pensado." O executivo diz que está "muito debruçado" sobre o plano de negócios, mas reforça que é preciso juntar forças em consórcio. "Ou talvez usando a Highline", sugere novamente.

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Além do investimento em licença e em infraestrutura, as empresas terão de considerar custos para a operacionalização, como o suporte, sistema de bilhetagem, CRM e demais soluções de gestão que são diferentes para a rede móvel em relação à banda larga fixa. Gomes considera que esta é "uma das fraquezas" dos provedores regionais, que ainda têm batalhado junto ao governo pelo acesso a linhas de crédito do BNDES.

A Highline entende que o modelo proposto de redes neutras vem justamente ajudar a fechar a conta. A companhia considera que apenas 10 dos PPPs, os que contam com mais de 100 mil acessos, poderão participar do leilão de forma isolada. "É o nosso ponto, prover a rede neutra, pois temos a garantia que, por longo prazo, não vamos competir com o cliente no varejo", declara o  diretor de desenvolvimento de negócios da empresa, Luis Minoru Shibata.

Mais caro

Estratégia diferente tem a Brisanet. A companhia cearense planeja participar do leilão de 5G de forma independente, e estuda oferecer a tecnologia para o acesso móvel, em smartphones. A ideia é chegar diretamente ao consumidor de baixa renda que hoje está no pré-pago e que não detém poder aquisitivo para adquirir a fibra. Também em estudos há a complementaridade de poder oferecer o 4G para Internet das Coisas e para a zona rural. 

Mas a Brisanet considera que o leilão de 5G terá um impacto maior para os PPPs do que para as grandes operadoras que arrematarem os blocos nacionais. Segundo informa o CEO da empresa, José Roberto Nogueira, os testes indicam que seriam necessárias mais do que apenas uma antena 5G no padrão standalone para laçar de fato uma operação em cada uma das 1.426 cidades com menos de 30 mil habitantes no compromisso da faixa de 3,5 GHz para o Nordeste. Para permitir fazer sentido no ponto de vista de negócio, o executivo acredita que serão necessárias mais de 3 mil torres.  

"No leilão, acredito que o maior compromisso são os blocos regionais, que têm preço mais elevado, porque o compromisso são de levar essas cidades, enquanto o compromisso das grandes é onde está o dinheiro", declara. A comparação de Nogueira é com os blocos nacionais, que ficarão com as capitais e cidades maiores. 

O executivo adiciona que entende que o edital precisaria ser desta forma, com o escalonamento e prazos previstos, mas afirma que é necessário trazer elementos para facilitar essa operação, como a possibilidade de roaming local. "Se não, estaremos comprando a faixa por valor maior por não poder fazer a cidade ao mesmo tempo [que as grandes]", diz. Ele ainda pede que seja possível escolher a ordem das cidades que terão o espectro liberado com a desocupação dos serviços de TVRO na banda C. 

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