BlackBerry levanta a bandeira da neutralidade de apps

Em meio à discussão sobre neutralidade das redes de telecomunicações que toma conta do mercado norte-americano, o CEO da BlackBerry, John Chen, levantou uma nova bandeira: a da neutralidade de apps e de conteúdo. Ele se queixa de serviços que estão disponíveis apenas para iOS e/ou Android, discriminando outros sistemas operacionais, como o BlackBerry OS, e cita especificamente o serviço de mensagens instantâneas iMessage, da Apple, e o serviço de streaming de filmes Netflix. O primeiro está disponível apenas para iOS e o segundo, para Android e iOS. Seu ponto de vista foi descrito em carta enviada para o presidente Barack Obama e para o chairman da FCC, agência reguladora de telecomunicações dos EUA, e publicado no blog oficial da BlackBerry.

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"A BlackBerry entende que os formuladores de políticas públicas deveriam focar não apenas nas teles, que desempenham apenas um dos papéis no ecossistema de banda larga. As teles são como as ferrovias do século passado, construindo trilhos para transportar mercadorias por todo o país. Mas os vagões que trafegam nesses trilhos são, no mundo da Internet de hoje, controlados não pelas teles, mas pelos provedores de conteúdo e de aplicações. Se queremos uma Internet aberta de verdade, os formuladores de políticas públicas deveriam exigir a abertura não apenas da camada de transporte, mas também da camada de conteúdo e aplicações nesse ecossistema. Punir as teles por discriminação mas permitir que provedores de conteúdo e de aplicações sigam discriminando não resolve nada. A legislação de neutralidade deve ter uma abordagem holística, abrangendo tanto a neutralidade de rede quanto a neutralidade de aplicações e conteúdo", escreveu o CEO da BlackBerry.

Chen aproveita para citar o exemplo da BlackBerry, que abriu seu aplicativo de mensagens, o BBM, para usuários de outros sistemas operacionais, como Android e iOS, ao contrário do que fazem outros provedores de aplicações e conteúdo, que restringem o acesso apenas para os usuários dos sistemas operacionais do Google e da Apple. "Esse é exatamente o mesmo tipo de discriminação que os defensores da neutralidade têm criticado na camada de rede", completa.

Análise

É preciso lembrar de algumas questões ao se analisar a demanda do CEO da BlackBerry. A primeira delas é que as operadoras de telefonia móvel usam espectro licenciado pelo governo, em autorizações concedidas em leilões. O espectro é um bem finito, que pertence à cada nação, e, por isso mesmo, requer certas regras. O desenvolvimento de aplicações e de conteúdo não se aproveita de um recurso finito de um país.

Além disso, criar e manter versões de aplicativos para todos os sistemas operacionais existentes custa caro. Essa é a razão para que nem todos os apps de sucesso tenham sido lançados até agora para plataformas com market share pequeno, como o BlackBerry e o Windows Phone. Se até para grandes marcas é difícil, para desenvolvedores de menor porte nem se fala.

É claro que no caso específico do iMessage da Apple há uma intenção de controlar e fidelizar a base de usuários. Mas essa mesma prática foi adotada pela BlackBerry durante anos, enquanto foi a líder mundial no mercado de smartphones, período em que restringiu o acesso ao BBM aos usuários de devices por ela fabricados. A mudança de postura aconteceu justamente quando a participação da empresa no segmento de smartphones estava despencando e ela precisava universalizar a aplicação BBM, valorizando e salvando pelo menos esse ativo.

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