Hospital das Clínicas testará 5G em 3,5 GHz e Open RAN para exames de ultrassom

Foto: Pixabay

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, está com um projeto para utilizar rede privada 5G e Open RAN no auxílio de exames de ultrassom em regiões remotas. A ideia é incorporar a inciativa Aysú, do Instituto de Radiologia (InRad) do HC e que atende à população ribeirinha e indígena da região amazônica, ao programa de testes da quinta geração do OpenCare 5G, projeto realizado pelo núcleo InovaHC. 

O projeto utiliza licença experimental na faixa de 3,5 GHz e é coordenado pela Deloitte, com parcerias como Telecom Infra Project (TIP), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Itaú, Escola Politécnica da USP e da fornecedora NEC, responsável pela integração da Open RAN. Em outro momento, poderá ser ampliado também o escopo para operadoras.

Nesta primeira fase, a rede privativa será instalada no complexo do Hospital das Clínicas, permitindo testes com equipamentos de ultrassom portáteis operando em salas diferentes. O InRad quer que a tecnologia permita que um operador, que pode ser um enfermeiro ou paramédico, realize os testes de forma remota com o auxílio de um médico especialista na outra ponta, que ainda avaliará as imagens.

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A coordenadora do projeto e a head de telecom, mídia e tecnologia da Deloitte, Márcia Ogawa, diz que no início de março já deverá ser disponibilizada a primeira fase de testes com o trabalho da engenharia e dos parceiros. "Um projeto de Open RAN tem uma parte inicial pesada de contratos, SLA e importação, pelas características do que é a tecnologia/arquitetura", afirmou ela ao TELETIME

Ogawa lembra que, por se tratar de um projeto da área de inovação das Clínicas, em um meio universitário, buscou-se utilizar o Open RAN em conjunto com o 5G para os testes. Ela acredita ser um dos primeiros do País a unir as duas tecnologias para aplicações de saúde em um "testbed" que poderá depois ser expandido para outras áreas além dos exames de radiologia. 

Foco 

"Quando se olha os casos de uso do 5G nos países mais desenvolvido, o foco em saúde é mais em questões tecnológicas, como cirurgias remotas. A gente não está focando nisso, queremos iniciar com objetivo de ampliação de acesso", declara. Ogawa explica que a aplicação da rede móvel para os exames não tem questões como a sensibilidade à latência em missão crítica, como no caso das cirurgias robótica, então o escopo é da conectividade que permita o envio das imagens para acompanhamento em tempo real. 

"Hoje, o retorno de diagnóstico leva dias. Então isso que é importante a sociedade entender: tem diversos casos de uso do 5G. Lógico que a gente vai chegar lá na cirurgia robótica, mas esse pouco investimento [em conectividade] já vai fazer muita diferença na ponta."

Em uma segunda fase, o projeto deverá testar imagens da tomografia que serão enviadas à nuvem, na qual haverá processamento na borda por meio de machine learning e inteligência artificial. O Hospital das Clínicas já tem um trabalho neste sentido, utilizando IA para diagnósticos de imagens tomográficas, mas por meio da rede fixa tradicional. 

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