Telecom Italia continua briga com acionistas minoritários

Em mais um capítulo da batalha interna que a Telecom Italia tem enfrentado com seus acionistas minoritários, a empresa precisou endereçar supostas tentativas de boicote a parte de seu plano de recuperação. A holding afirmou que não recebeu resposta do acionista Findim Gruppo em tempo hábil para a conversão mandatória dos títulos em ações ordinárias.

Em comunicado emitido ao mercado pela holding italiana nesta quinta, 21, a empresa alega que, enquanto o processo ainda estava acontecendo, os avaliadores (joint bookrunners) tentaram entrar em contato por telefone com o acionista, que não teria mostrado interesse em tomar parte da transação. Logo depois do fechamento do processo, no final da manhã do dia 8 de novembro, o grupo Findim teria finalmente procurado os bookrunners, mas já seria impossível atender à demanda por já ter expirado o prazo.

Contexto dramático

O grupo Findim é liderado por Marco Fossati, forte opositor da influência da Telefónica na Telco, maior acionista da Telecom Italia, com 22,4%. Após o anúncio do aumento de capital do grupo espanhol para 46,2% na empresa, Fossati procurou também aumentar participação acionista com direito a voto na holding italiana, saindo de 4,999% para 5,004%. Isso foi o suficiente para poder invocar o artigo 2367 do Código Civil Italiano, que dá o direito ao acionista com pelo menos 5% da companhia de realizar a convocação imediata para assembleia. Dessa forma Fossati convocou a reunião pedindo "renovação de todo o board de diretores" da Telco.

Naturalmente, o pedido de assembleia foi acatado pela Telecom Italia, mas nada mudou na Telco. Do lado da Telefónica, entretanto, não parece haver preocupação. Alierta descartou rumores de fusão, tanto do grupo espanhol com a empresa italiana quanto da TIM e Vivo no Brasil.

No dia 8 de novembro, a Telecom Italia completou com sucesso a emissão 1,3 bilhão de euros em títulos conversíveis, parte do plano de recuperação da empresa, que almeja levantar 4 bilhões de euros para amortizar a dívida líquida de 28,2 bilhões de euros. A estratégia inclui a venda da Telecom Argentina, oferta de torres na Itália e no Brasil; e venda de negócios de mídia. Além disso, a empresa planeja cortes de gastos que trariam economia de 1 bilhão de euros até 2016.

O conflito é italiano, mas a trama ganha contornos de dramalhão mexicano. Na terça-feira, 19, o CEO da Telecom Italia, Marco Patuano, reuniu-se em Milão com sindicalistas para assegurar os direitos trabalhistas no programa industrial da empresa. Na ocasião, Patuano precisou repetir à imprensa local o mantra de que a TIM Brasil é um ativo core, e que uma eventual venda teria de levar isso em consideração não apenas no valor, mas na importância que o negócio tem para a holding. Ainda assim, isso não impediu a especulação, que continua.

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