STJ nega exclusividade da marca Iphone para a Gradiente no Brasil

A empresa IGB Eletrônica, dona da marca Gradiente, e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) tiveram negado o recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no qual a empresa pretendia ter a exclusividade de uso da marca Iphone no Brasil. A decisão, tomada pela quarta Turma do Tribunal, também estabelece que a IGB (que está em recuperação judicial) poderá continuar a utilizar a marca "G Gradiente Iphone" registrada por ela.

De acordo com informações do STJ, a disputa judicial teve inicio em 2013, quando a empresa norte-americana Apple ajuizou ação contra a IGB Eletrônica e o INPI visando à nulidade parcial do registro da marca mista G Gradiente Iphone, registrada pela IGB em 2008 para designar aparelhos eletrônicos e acessórios de sua linha de produção.

Processo

Na petição inicial, a Apple sustentou que desde 2007 utiliza a marca iPhone (a brasileira é com "i" maiúsculo), a qual atende a todos os requisitos legais básicos para que um sinal se caracterize como marca de produto, conforme o artigo 122 da Lei 9.279/96, ao contrário de sua concorrente Gradiente. A empresa norte-americana alegou ainda que o pedido de registro da marca mista, feito em 2000, foi equivocadamente deferido pelo INPI em 2008, visto que o termo "iphone" foi empregado pela Gradiente apenas como simples descrição da funcionalidade de acesso à Internet oferecida por seus produtos, não oferecendo nenhuma força distintiva à marca.

A ação foi julgada procedente na primeira instância. Após isso, o IGB e o INPI entraram com recurso no STJ.

Prazo

Em suas razões, a IGB destacou o fato de que, quando a Apple iniciou suas vendas do iPhone no exterior, a Gradiente já tinha pedido o registro da marca havia mais de seis anos. Além disso, sustentou que, na época em que fez o depósito do pedido do registro da marca, o termo "iphone" não era consagrado como sinônimo de aparelho telefônico com acesso à Internet. Por fim, a Gradiente alegou que os requisitos de registro da marca devem ser analisados à luz da situação fática mercadológica vigente na época do depósito do pedido, e não no momento de sua concessão, argumento também alegado pelo INPI.

Exclusividade

Em seu voto, o ministro relator do caso, Luis Felipe Salomão, destacou que o direito de uso exclusivo da marca não é absoluto, prevendo o ordenamento jurídico limites tanto na especificidade, quanto na territorialidade. Para o relator, também é preciso levar em consideração as hipóteses em que o sinal sugestivo, em função do uso ostensivo e continuado, vincula os consumidores aos produtos e serviços oferecidos por determinada empresa, como é o caso da Apple.

"No que diz respeito às marcas, reitere-se que sua proteção não tem apenas a finalidade de assegurar direitos ou interesses meramente individuais do seu titular, mas objetiva, acima de tudo, proteger os adquirentes de produtos ou serviços, conferindo-lhes subsídios para aferir a origem e a qualidade do produto ou serviço, tendo por escopo, ainda, evitar o desvio ilegal do cliente e a prática do proveito econômico parasitário", afirmou.

Consequências 

Concluindo seu voto, Salomão destacou que o uso isolado da marca Iphone por qualquer outra empresa que não a Apple poderia causar "consequências nefastas" à empresa, já o uso da marca mista não traria prejuízo nem para a empresa norte-americana, nem para a Gradiente, pois jamais induziria qualquer consumidor a erro. "Importante ainda assinalar que tal exegese não configura prejuízo à IGB, que, por ter registrado, precedentemente, a expressão G Gradiente Iphone, poderá continuar a utilizá-la, ficando apenas afastada a exclusividade de uso da expressão 'iphone' de forma isolada", concluiu.

(Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.