Brasil está pronto para o pagamento móvel, mas falta a cultura do cartão, avaliam especialistas

O mercado de pagamento móvel está pronto para desenvolver. No entanto, para as empresas de tecnologia e finanças o brasileiro não. É o que pensam representantes da MasterCard, PagSeguro, Samsung e PayPal.

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"Hoje nós lidamos com um número muito grande de internautas que não fazem compra. Uma pesquisa que fizemos com o instituto Ipsos mostra que 35% não querem comprar por medo", disse Paula Paschoal, diretora do PayPal no Brasil.

A executiva culpa em grande parte a cultura do brasileiro de comprar por boleto, no lugar do cartão de crédito, algo que seria mais prático e agilizaria o uso de novas tecnologias, como as carteiras móveis. "O boleto só tem a força que tem no Brasil pelo medo que o consumidor tem", completa.

Questionada por este noticiário se esse problema de cultura passaria pela falta de opções para modalidade de pagamento online como débito em conta, a executiva disse que sim e confirmou: o PayPal pretende aumentar em breve sua base com um quarto banco em negociações, além dos atuais Santander, HSBC e Citibank.

O vice-presidente de novos negócios da MasterCard no Brasil e Cone Sul, Alexandre Brito, disse que entende que o boleto é um grande vilão do crescimento tecnológico. "Nós também queremos acabar com o boleto. Hoje nós temos o MasterPass que é uma carteira eletrônica e facilita muito mais a vida do cliente", disse o VP da MasterCard.

Roberto Soboll, diretor de produtos da divisão de mobilidade da Samsung, lembra que o assunto é antigo, de quase duas décadas atrás, e que, naquela época, o consumidor apresentou mais resistências às inovações.

"Esse assunto de mobile payment é antigo. No final da década de 1990, a japonesa NTT DoComo tentou fazer carteiras digitais, mas não desenvolveu por tecnologia e pelo consumidor que não estava pronto", disse Soboll durante a feira de tecnologia Eletrolar, que acontece em São Paulo nesta semana.

Outro diretor, Davi Holanda, da PagSeguro Móvel, indica que o problema cultural não é apenas do usuário, mas também dos estabelecimentos brasileiros. Para ele, falta ao mercado entender a migração "do desktop para o mobile".

Taxas

Se por um lado o boleto é o vilão, as taxas de transferência foram defendidas pelos executivos. Quando foram questionados pela audiência, em sua maioria composta por funcionários do setor varejista, se reduziriam as taxas com os pagamentos móveis, Brito, Davi e Paula afirmaram que não, pois o serviço garante a segurança e rapidez no pagamento para o consumidor e comerciante.

"Tem um valor agregado na transação. Primeiro tem a segurança. Segundo, a quantidade de métodos disponíveis", argumenta o executivo do PagSeguro. "Quando você olha a composição de preços versus a composição de serviços, a taxa é aderente ao mercado".

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