Em diálogo interceptado pela PF, Opportunity insinua corrupção na Anatel

As interceptações telefônicas da Operação Satiagraha (realizadas com autorização judicial) mostram diálogos que podem indicar possíveis atos de corrupção do Opportunity junto à Anatel. Em conversa registrada no dia 27 de junho de 2008, às 14:29:37, a advogada do Opportunity Danielle Silbergleid Ninio relata ao outro advogado do grupo, Philip Korologos (encarregado de defender os interesses de Dantas em Nova York,) as dificuldades encontradas para eliminar as ações administrativas e criminais enfrentadas pelo grupo. Recorde-se que em abril deste ano Dantas celebrou com os fundos de pensão e com o Citibank um acordo colocando fim às pendências judiciais entre as partes no Brasil e nos EUA. No diálogo, Silbergleid diz:

"Demos duro na FCC brasileira para encerrar todos os processos administrativos e eles disseram que os retirariam se nós pagássemos algum dinheiro para eles, mas para os processos criminais fica muito mais difícil…"

Note-se que não existe nos diálogos registrados passagens envolvendo funcionários da Anatel e que a advogada do Opportunity não apresenta nenhuma evidência concreta de que tenha de fato havido pedido de propina, nem se houve o pagamento. Segundo apurou este noticiário junto ao Sistema de Acompanhamento de Processos da agência na Internet, pesquisando pela palavra "Opportunity", constam apenas processos concluídos ou arquivados contra o grupo: um de 2000, dois de 2002 e seis de 2005. Os demais são pedidos de prorrogação de prazo e outras questões burocráticas.

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Mesmo assim, TELETIME pediu à Anatel que confirmasse o número de processos existentes ou concluídos envolvendo o Opportunity e as respectivas superintendências e gerências responsáveis pelas análises. Encaminhamos também uma lista de outras empresas com as quais o grupo de Daniel Dantas participava do setor de telecomunicações, para que a pesquisa pudesse ser mais abrangente.
A assessoria de comunicação da agência informa que não há ainda esse levantamento, mas que está providenciando os dados para auxiliar o trabalho dos jornalistas. Se ficar constatado algum indício de irregularidade, diz a Anatel, a denúncia pode ser objeto de auditoria interna, mas por enquanto ainda não existe nenhum procedimento formal de verificação.
Entre os anos de 2000 e 2005, as diversas disputas entre o grupo Opportunity e seus sócios (TIW, Telecom Italia, fundos de pensão e Citibank) geraram diversas denúncias, de parte a parte, para apuração junto à Anatel. Dantas também reclamou junto à agência quando foi destituído do controle das empresas. A agência também abriu investigação contra Dantas por ter deixado de informar corretamente a composição societária das empresas por ele administradas.
Além da Anatel, também a CVM foi palco de disputas, e lá foram feitas diversas denúncias com base nas constatações realizadas pelos fundos de pensão e pelo Citibank após auditoria na Brasil Telecom.

Acordão

Depois de abril, Dantas conseguiu dos fundos de pensão e do Citi um pacto de não agressão em troca de dinheiro (R$ 145 milhões, pagos pela Oi) e em troca da concordância com os termos da negociação da BrOi.
Nesse sentido, outro trecho da conversa entre Silbergleid e Korologos é revelador:
"Já começamos a fazer vários outros negócios e o engraçado é que o Citibank está tentando ser um dos nossos agentes, agindo como a nossa corretora no exterior de colocação de fundos para nossa gestora de ativos", diz a advogada.
"Isso só comprova que eles estão mentindo em cima da nossa mentira. Eles achavam que éramos idiotas e que nunca fariam negócio conosco", retruca Korologos.
Danielle Silbergleid então responde: "Eu falei com o pessoal da Brasil Telecom e com o pessoal dos fundos de pensão e eles estão tentando interagir. Até o Alberto Guth quis fazer graça com meu time que vai às finais da Libertadores e o Arthur disse que sou mal educada, porque respondi a ele por email que seria mais fácil o Fluminense ganhar do que chegarmos a um acordo. De qualquer forma, eu tenho ligado para a BrT para ver se há algo com relação às iniciativas, mas não está bom porque não estão trabalhando nisso. Não sei quantos meses ou anos vamos levar para limpar a casa! Eu estou tentando dividir meu tempo entre as coisas do passado e me dedicar também às coisas novas, que são boas coisas".
A advogada ainda mostra preocupação com a falta de informação sobre as atividades da Polícia Federal: "não temos nenhuma informação além das notícias informais que temos, mas já fizemos pedidos para ter acesso oficial ao que está havendo, mas eles não decidiram e por razões de segurança a Verônica e o Daniel decidiram ficar aqui (aqui há provavelmente um erro de transcrição, porque nessa data Daniel Dantas e sua irmã Verônica estavam na República Dominicana, segundo a própria PF). A boa notícia é que o assunto saiu dos jornais. Mas ainda é algo que nos preocupa".
A transcrição integral destes diálogos feita pela PF está disponível na home page do site TELETIME.

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