Condições do leilão de 5G podem mudar com estudos sobre convivência com satélite, aponta Anatel

Foto: Pixabay

A Anatel concluiu que a possibilidade de convivência entre as transmissões de 5G na faixa de 3,5 GHz e as transmissões via satélite em banda C é possível, mas as condições parecem bem mais complicadas do que aquelas que estavam sendo indicadas pelos testes realizados pelas operadoras e pelo CPqD. Segundo relatório sobre "Estudos de Convivência, dispositivos LNBF e Licitação do 5G" publicado nesta quinta pelo Comitê de espectro e Órbita da Anatel, "a partir dos estudos e simulações computacionais, bem como dos dados colhidos em laboratório e campo, o Comitê entende ser possível o desenvolvimento de novos dispositivos LNBF que cumpram adequadamente a função. Para isso, é preciso que o LNBF permita uma interferência agregada de, pelo menos, -30 dBm (um milionésimo de watt). Se possível, os dispositivos deveriam ser ainda mais robustos, de pelo menos -25 dBm, caso as condições de produção e custos assim permitam". 

Traduzindo: os filtros disponíveis hoje, segundo a avaliação da Anatel, ainda não têm condições de assegurar a mitigação completa das interferências. Segundo nota da Anatel,  entre as múltiplas soluções e técnicas de convivência, "o Comitê recomenda a adoção de condições operacionais mais rígidas para o IMT-2020 que aquelas sugeridas como referência pelo 3GPP (3rd Generation Partnership Project, organização tecnológica padronizadora do 5G), a exemplo do realizado em outros países". Isso inclui uma banda de guarda maior, que pode ser geral, o que obrigaria o leilão de 5G a ter apenas 380 MHz de banda em 3,5 GHz (contra os 400 MHz atualmente propostos na consulta), ou a adoção de modelos de gestão dinâmica de banda de guarda apenas onde houvesse transmissões fixas de satélite (FSS). 

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Os resultados detalham aquilo que já havia indicado o presidente da Anatel, sobre a inclinação de adotar a migração para a banda Ku em lugar de um modelo de convivência e mitigação.

As constatações do Comitê de espectro e Órbita vieram a partir de modelagens computacionais complexas feitas pela agência, e dos testes teóricos. A agência reitera que os testes de campo não puderam ser concluídos. Também pesaram as informações trazidas pelos operadores de satélite sobre a realidade da exploração das faixas de 3,5 GHz para serviços corporativos.

Segundo Leonardo Euler, presidente da Anatel, a agência precisa zelar pela preservação dos atuais serviços na faixa de 3,5 GHz, o que inclui as transmissões via satélite, e isso cria algumas limitações para a agência. Segundo ele, três alternativas podem ser exploradas:

  1. A indústria de fabricantes de LNBFs apresenta filtros mais robustos e dentro das especificações determinadas agora pela agência;
  2. Estuda-se a viabilidade de migração das TVROs (transmissões de TV via satélite) para a banda Ku. Na verdade esta opção já está sendo formalmente estudada pela Anatel, após determinação do conselho diretor da agência para que a área técnica fizesse cálculos de custos e critérios de migração.
  3. Aumento da banda de guarda para a faixa de 3,7 GHz, dando mais segurança às transmissões via satélite, ou adoção de um modelo dinâmico

Todas as opções estão sendo analisadas e nada impede que haja uma combinação de alternativas, disse Euler a este noticiário. O presidente da Anatel preside também o CEO. 

Segundo a nota da Anatel, "o Comitê considera que a convivência dos sistemas pode ser viabilizada com a adoção de soluções como as supramencionadas. Eventuais interferências prejudiciais ainda podem ocorrer em situações muito específicas de instalação, porém a sua probabilidade é bastante pequena e o efeito, pontual". A agência diz ainda esperar que novos protótipos de LNBF, "compatíveis com os critérios operacionais delineados nos relatórios de estudos, estejam disponíveis para testes e avaliações o quanto antes". Por fim, "o CEO reitera seu compromisso de buscar soluções que permitam a coexistência harmoniosa dos sistemas de radiocomunicação". 

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