Oi ainda tem incertezas em relação ao leilão de 2020

Eurico Teles, presidente da Oi

A Oi ainda mostra incerteza em relação ao leilão de espectro da Anatel em 2020. Segundo o presidente da operadora, Eurico Teles, a questão é a empresa decidir onde colocará o investimento. Isso porque a faixa de 700 MHz, atrelada ao LTE, poderia não compensar frente às necessidades de a tele se mostrar competitiva com 5G. "Temos muita dificuldade de olhar isso [a faixa de 700 MHz] e, em seguida, para o 5G. O investimento necessário é extremamente forte", ponderou ele em apresentação no Painel Telebrasil 2019 nesta terça, 21. Contudo, ele garante que a empresa olhará o edital "com carinho".

O edital ainda não está finalizado, mas a proposta da área técnica, corroborada pela Procuradoria Federal Especializada da Advocacia-Geral da União junto à Anatel, estabelece que a faixa de 700 MHz deverá ser licitada apenas para operadoras que já não tenham o espectro – o que deixa a Oi como a candidata natural, uma vez que ela havia perdido a oportunidade em certames anteriores. "Lembro do sentimento de quando a Oi não participou do leilão de 700 MHz, aquilo trouxe uma 'boca de jacaré' muito grande, mas é a realidade", contou o executivo, referindo-se à primeira licitação da faixa em 2014.

Teles lembrou que a companhia tem o objetivo de investir R$ 7 bilhões em 2019, com foco especial na implantação de fibra, mas visando também o suporte à rede móvel. "Quem tiver fibra, vai ter sucesso no 5G", afirmou. Mas ressalta que há um custo elevado na infraestrutura, calculando em R$ 58 mil por quilômetro em redes entre estados e em rodovias, fora o regramento exigido dentro dos perímetros urbanos.

O presidente da Oi criticou ainda a possibilidade de o leilão acabar tendo viés arrecadatório. Teles calcula que, na somatória de todos os leilões, o setor de telecomunicações aportou R$ 131 bilhões em outorgas. "Seria suficiente para conectar todas as residências do Brasil em fibra ótica", destaca.

Novo Modelo

Eurico Teles mostrou confiança na aprovação do PLC 79. "Tenho certeza que sairá e que vai mostrar novos caminhos. E a regulamentação vai proporcionar melhoria de investimento em retorno – a fibra tem de quatro a cinco anos para retorno, é muito doloroso. E ainda tem a luta pela competição que também reduz o retorno", comenta o executivo.

Teles lembra que, desde o início do processo de recuperação judicial, em 2016, a Oi não conta com "um tostão de ninguém, nenhum banco e nenhum investimento", a não ser os R$ 4 bilhões que os próprios acionistas colocaram no aumento de capital. "Eu sei que é uma luta para empresas de telecom, e é o que a Oi passa para sobreviver", diz. "Não é fácil. Espero que no próximo Telebrasil, a Oi volte com uma nova realidade."

1 COMENTÁRIO

  1. Ao meu ver, estes próximos 2 semestres são decisivos para o futuro da Oi. Exista pouco caixa, mesmo com a entrada de dinheiro referente a venda de ativos e com isso há um leque muito reduzido de opções estratégicas a serem realizadas pela Oi.
    Seja como for, é preciso ser dar tudo 100% certo e teremos a resposta de como o mercado absorverá tudo isso, no máximo até o 1º semestre de 2021.

    É uma situação realmente difícil.

    Ótimo texto!

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