Credores querem audiência de conciliação com a Oi

Em mais uma etapa do duradouro imbroglio da recuperação judicial da Oi, o comitê diretivo do grupo de credores (apoiado pela Orascom, do empresário egípcio Naguib Sawiris, e assessorado financeiramente pela Moelis & Company), divulgou nota nesta terça-feira, 21, afirmando que a resposta da companhia ao plano alternativo "desaponta". Em virtude de uma alegada falta de comunicação e atenção, o grupo de credores apresentou na segunda-feira uma petição junto ao Juízo da Recuperação para a convocação e mediação de uma audiência de conciliação com a empresa e todos os credores para discutir "abertamente" os pontos "relevantes e controversos" da RJ.

Segundo o grupo, após nove meses desde que deu entrada na requisição da recuperação judicial e três meses desde a apresentação do plano alternativo, a Oi ainda estaria "evitando discussões substantivas sobre os aspectos-chave para qualquer reestruturação financeira e operacional bem-sucedida". Reclamam ainda que, após decisão do Juízo de manifestações a respeito do plano alternativo, a companhia teria se limitado a "declarações gerais", deixando de endereçar pontos que os credores consideram importantes como despesas e necessidades de recursos de capital, planejamento para aumentar receita e EBTIDA versus investimento, proposta de resolução da dívida com a Anatel, melhorias na governança corporativa e contrapartida exigida aos acionistas "à luz das concessões feitas pelos credores".

Na visão do comitê diretivo, o desempenho da empresa está "aquém dos seus concorrentes", o que afeta a viabilidade futura e competitividade da Oi. Além disso, acusam os "principais acionistas" de tentarem "tirar valor dos credores, ao invés de contribuir para uma reestruturação bem-sucedida", citando como exemplo despesas de manutenção da rede e marketing, reduzidas em aproximadamente 50% (no terceiro trimestre do ano passado em comparação com igual período de 2015) e que teriam comprometido qualidade de serviços e capacidade da companhia de manter e atrair novos clientes. Assim, afirmam que a Oi perdeu 8% do market share na telefonia móvel (de 18,8% em junho de 2016 a 17,2% em janeiro de 2017 na base total, sem recorte por tecnologia ou modelo pré/pós), e que obteve queda de 2% na receita líquida no terceiro trimestre, enquanto Vivo e TIM apresentaram crescimento no mesmo período. Em nota, a Oi se defendeu das críticas ao desempenho

Pelo comunicado, o representante da Moelis, Otávio Guazzelli, afirmou que esperava que a Oi encarasse a decisão de comentar sobre o plano alternativo como uma "oportunidade para finalmente se engajar no conteúdo dos principais componentes". Ele demonstra preocupação que a "falta de progresso" resulte em maior deterioração da empresa, e afirma que a audiência de conciliação seria "crucial para promover diálogo aberto entre a companhia e todos os credores". O assessor jurídico internacional do grupo, Cleary Gottlieb, representado por Richard Cooper, também afirmou que não houve progresso, dizendo ser "um sinal muito preocupante para os investidores internacionais e, francamente, os mercados em geral".

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