EUA voltam a pressionar europeus sobre participação da Huawei no 5G

Foto: Divulgação

Representantes para cibersegurança e comunicações do Departamento de Estado dos EUA voltaram nesta semana a pressionar estados da União Europeia e o Reino Unido a respeito da participação da Huawei em redes 5G do continente. Mais uma vez, os norte-americanos sinalizaram que a anuência para atuação da chinesa deve impactar o compartilhamento de inteligência vinda dos EUA.

Vice-secretário assistente do Departamento de Estado para cibersegurança e comunicações norte-americano, Robert Strayer se encontrou na terça-feira, 18, com representantes de reguladores de Portugal; já nesta sexta-feira, 21, houve agenda com o ministério da relações exteriores da Espanha (após encontro com a direção da Telefónica na quinta-feira, 20).

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O 5G esteve em pauta da discussão com os países europeus, bem como o lobby contra a fornecedora de equipamentos chinesa. No último domingo, 16, o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia pressionado o governo da Alemanha sobre o tema. "Se países adotarem fornecedores não confiáveis no 5G, isso limitará nossa habilidade de compartilhar informações em níveis mais altos", afirmou Strayer, em entrevista concedida à BBC, repetindo o tipo de pressão que os EUA já vêm fazendo sobre os diferentes países.

Reino Unido

Na ocasião, o representante também criticou a decisão do Reino Unido de barrar a atuação da Huawei apenas em funções de core de rede. "Pensamos que nenhuma parte das redes 5G deva ser exposta ao Partido Comunista Chinês, inclusive as redes de acesso em rádio, onde também há poder computacional e a partir da qual a disrupção de ativos críticos também pode ocorrer", afirmou o vice-secretário assistente do Departamento de Estado. Entre as alegações dos EUA contra a empresa está a de espionagem a mando do governo chinês; a companhia nega veementemente a acusação. Tampouco o governo dos EUA apresenta informações concretas sobre as vulnerabilidades existentes na rede.

"Vamos seguir trabalhando com o Reino Unido para que eles entendam nossa visão sobre os riscos de segurança e os caminhos a seguir", prosseguiu Strayer. No caso dos estados da União Europeia, há uma análise conjunta de risco de fornecedores 5G em curso após determinação do comando do bloco; na região, o governo da Polônia desponta como um dos principais opositores das empresas chinesas.

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Strayer também acusou a Huawei de estar em uma campanha de propaganda para "que o mundo pense que eles são a única alternativa" no 5G. "Isso não é verdade, já que Nokia, Ericsson e Samsung fornecem um produto equivalente e de qualidade, sem colocar informações de negócios e indivíduos em risco", acusou o representante norte-americano.

Há duas semanas, a Huawei afirmou que a exclusão de um fornecedor chave de equipamentos 5G poderia acarretar em custos até 29% maiores para o lançamento da tecnologia pelas operadoras. No Reino Unido, players destacaram o impacto financeiro da decisão do governo de limitar a atuação da chinesa no País.

No Brasil, a definição de restrições que impeçam a concentração de mercado de fornecedores 5G já entrou na pauta do MCTIC e da Defesa.

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