Relatório da ONU indica intensa desigualdade no acesso à Internet no mundo

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Publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Relatório Social Mundial 2020 evidenciou o impacto que a desigualdade econômica tem gerado também sobre o acesso à tecnologias da informação e comunicação (TICs), com destaque para a banda larga fixa. Segundo dados da entidade, quase 87% da população de países desenvolvidos já possuí acesso à Internet, contra apenas 19% nos países em desenvolvimento.

O diagnóstico baseado em dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), liga um sinal de alerta dentro da ONU. Ainda que destacando o crescimento da penetração de dispositivos móveis de forma global, a entidade teme que o baixo acesso à banda larga fixa em muitas localidades impeça populações de acessarem serviços financeiros, educacionais e de saúde.

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"Uma das razões para a baixa cobertura de Internet é o alto custo de acesso anual", pontuou o relatório. Segundo o texto, um ano de banda larga fixa em 2016 custava, em média, mais que 30% do produto interno bruto (PIB) per capita de países menos desenvolvidos, ao mesmo tempo que representava menos que 3% do PIB per capita de certo países desenvolvidos.

"Entre todas as regiões, o preço é mais alto na África. Em um caso extremo, o custo anual do acesso fixo à Internet era 1.700% do PIB per capita da República Centro-Africana em 2016, contra 0,8% nos EUA", exemplificou o relatório.

A desigualdade no acesso à banda larga, contudo, também foi percebida dentro de um mesmo país. "Foi encontrada uma grande lacuna entre as áreas urbanas e rurais no acesso à banda larga em muitos países em desenvolvimento. Enquanto o uso de banda larga em capitais da Índia, Quirguistão e Moldávia é tão alta quanto em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o acesso de banda larga nas áreas rurais desses três países está entre os mais baixos do mundo".

Outros estudos de caso também mereceram menção no Relatório Social Mundial 2020. A Indonésia seria um exemplo de país onde o acesso à Internet tem grandes variações quando consideradas diferentes idades, gêneros, grupos de renda e de educação, enquanto no Cazaquistão já há evidências que a discrepância no acesso teria aprofundado a desigualdade financeira do país .

Para a ONU, diante de tais desafios, "os governos precisam introduzir políticas e estratégias para tornar as novas tecnologias acessíveis a todos, particularmente as mais desfavorecidas segmentos da sociedade".