Cisco, Facebook e Oi: capacidade total no WiFi 6 é indispensável no Brasil

Para empresas como Cisco, Facebook e Oi, toda a capacidade de 1.200 MHz na faixa de 6 GHz no Brasil deverá ser destinada ao uso não licenciado, o que inclui aplicações como WiFi 6E. Durante evento online promovido pelo Facebook Connectivity nesta terça-feira, 30, representantes das empresas defenderam que o País siga a tendência de uso de outros mercados como Estados Unidos e Coreia do Sul não só para harmonização, mas para complementaridade do 5G.

Segundo o diretor de políticas públicas e relações governamentais da Cisco Brasil, Giuseppe Marrara, não se trata de um confronto entre 5G e WiFi 6. "São tecnologias complementares, a partir da mesma base", diz, citando casos de uso indoor para o espectro não licenciado como exemplo dessa relação de simbiose. 

Por isso mesmo, argumenta Marrara, haverá redução no custo por bits, já que o Wi-Fi será ainda mais utilizado para descarregar o tráfego da rede móvel (offload). "Hoje, 51% de todo o tráfego das redes 4G já escoam dessa forma. No 5G, o descarregamento da rede móvel poderá chegar a 70% de todo o tráfego." Assim, o representante da Cisco afirma: "Os 1.200 MHz são absolutamente indispensáveis". 

Economia digital

Diretor de wireless do Facebook Reality Labs, Bruno Cendon destaca que aplicações como realidade aumentada e virtual só serão possíveis com a largura de banda proporcionada pelas novas formas de conexão. No caso do Wi-Fi 6, com canais de 80 a 160 MHz na faixa de 6 GHz. "Os primeiros países a terem uma regulação pronta vão ter vantagem competitiva", destacou. "E o Brasil vai estar na linha de frente." 

O papel de empresas de tecnologia como o próprio Facebook nessas discussões regulatórias mostra o que a conectividade é chave para a economia digital. O consultor de espectro da camara-e.net, que representa as Big Techs, Amadeu Castro, colocou que há interesse "entre diversos membros" da entidade para a implantação da faixa de 6 GHz no uso não licenciado em ambientes indoor. "Empresas como a Apple e Amazon são exemplos", cita, chamando atenção também para a necessidade de canais com maior largura de faixa e baixo consumo de energia para aparelhos. 

Operadoras

A Oi tem uma situação diferente de outras teles. Ao mesmo tempo em que ela considera participar do leilão de 5G (e já iniciou um piloto em 2,1 GHz em Brasília), a empresa vislumbra a venda da unidade de celular, a Oi Móvel – para o consórcio da Claro, TIM e Vivo -, o que deve ocorrer até o final de 2021. O diretor de assuntos regulatórios e institucionais da operadora, Carlos Eduardo Medeiros, diz que o posicionamento da empresa é de dedicar o espectro para o Wi-Fi. "Para manter o cliente de fato com a experiência do 5G, a plenitude seria com o [complemento do] Wi-Fi."

O conselheiro da Anatel Moisés Moreira afirmou que a agência está atenta à demanda pela capacidade total de 1.200 MHz na faixa. "Sabemos que vocês têm interesse. É um assunto que ainda será debatido no Conselho, com muita responsabilidade e atenção. Vocês terão o retorno necessário, tenho certeza disso", afirmou. 

De acordo com Moreira, a área técnica está analisando as contribuições da consulta pública sobre o novo Regulamento de Uso de Espectro (RUE) e elabora uma análise de impacto regulatório para submissão ao Conselho. Vale notar que já houve uma AIR em 2019, o que acabou subsidiando a decisão do colegiado de dedicar os 1.200 MHz para a faixa na resolução 726, publicada em maio deste ano.

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