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Pandemia aumentou a desigualdade digital no mundo, afirma a UIT

A Comissão de Banda Larga, entidade da União Internacional de Telecomunicações (UIT), divulgou nesta segunda-feira, 20, relatório anual no qual mostra que é necessário adotar práticas urgentes para ampliar o acesso à Internet. Conforme o levantamento (clique aqui para baixar o PDF), a pandemia do coronavírus não apenas causou impacto na demanda por rede e dados, mas também escancarou ainda mais a desigualdade digital.  

“O altíssimo pico no uso e na importância da conexão de Internet engatilhado pela crise da covid-19 fica em alto contraste com o crescimento reduzido da quantidade global de usuários de Internet e da desigualdade digital persistente e perniciosa”, diz o estudo. A entidade afirma que esse cenário é especialmente pior em países em desenvolvimento.

Para chegar à universalidade do acesso à Internet até 2030, a UIT estima serem necessários U$ 428 bilhões. A grande maioria está concentrada na camada da rede: US$ 70 bilhões em fibra para backhaul e backbone; US$ 104 bilhões em infraestrutura móvel. Confira no gráfico abaixo.

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Metas

A Comissão tem metas de conectividade. Uma delas é a de que, até 2025, todos os países do planeta tenham um plano nacional de banda larga ou estratégia de incluir a conexão nas definições de universalização de acesso e serviços. Mas a entidade reconhece que há muito trabalho a ser feito: ao final de 2020, apenas 165 países tinham tais políticas públicas.

Curiosamente, a existência do PNBL sequer é citada. A única menção ao Brasil no relatório – em um texto anexo de “insight” do conselheiro da Comissão, Carlos Jarque (da América Móvil) – é sobre o Bolsa Família no Brasil como exemplo de programa de redução da pobreza.

Outra meta é a de tornar a Internet barata, estabelecendo que até 2025, os serviços de banda larga em países em desenvolvimento devem ser menos de 2% do PIB per capita. Em 2020, 56 desses mercados tinham conseguido essa meta, considerando a banda larga móvel com franquia de 1,5 GB como a conexão mínima. Ainda assim, 45% das economias globais ainda tinham essa oferta com preços inacessíveis. Na banda larga fixa (com franquia de pelo menos 5 GB), isso chegou a 56%, dos quais apenas 23 nações em desenvolvimento. Vale lembrar que o Brasil retrocedeu em ranking de meta de acessibilidade da UIT, divulgado em março deste ano.

Desta forma, a meta 3 é de que a penetração da banda larga chegue em 2025 a 75% da população no mundo, com 65% em países em desenvolvimento e 35% em países abaixo dessa linha. Os dados da UIT mostram que houve pouco avanço até então: apenas 51% da população mundial está online, considerando banda larga como velocidade acima de 256 kbps. Países em desenvolvimento têm penetração de 44%, e os abaixo dessa linha, apenas 19,5%.

Entre outros objetivos estão a alfabetização digital para 60% dos adultos; 40% de penetração de serviços financeiros digitais; melhoria de conectividade para micro, pequena e médias empresas; e igualdade de gênero no acesso à banda larga (atualmente com 55% dos acessos para homens).

Iniciativas regulatórias também são citadas. A Comissão de Banda Larga coloca que o objetivo das regulações mais maduras é de chegar a uma metodologia colaborativa, com tomada de decisões baseado em métricas – ou seja, como a regulação responsiva, defendida pela Anatel.

Infraestrutura

O mundo atualmente tem mais de 50% dos acessos em 4G, e 85% da população. Enquanto isso, o 5G começa a tomar fôlego: em abril deste ano, 162 operadoras em 68 países lançaram a tecnologia, seja por serviço móvel ou pela conexão fixa (FWA), de acordo com dados da Standard & Poor’s Global Market Intelligence. A Comissão de Banda Larga acredita que a quinta geração chegará ao primeiro bilhão de chips dois anos mais rápido do que o 4G. 

O relatório destaca que há 426 cabos submarinos no planeta em 2021, o que significa cerca de 1,3 milhões de quilômetros conectando quase 100 países. A entidade cita ainda a implantação de cabos subfluviais no norte amazônico, provavelmente referindo-se ao projeto do Norte Conectado.

Outro ponto em destaque é que, enquanto a fibra é a óbvia candidata para a demanda de banda larga residencial, há implantações com cobre xDSL (VDSL 2 vectoring e G.Fast) que conseguem entregar velocidades mais altas e em regiões mais afastadas. Da mesma forma, o cabo coaxial consegue se equiparar ao FTTH, com o DOCSIS 3.1 permitindo até 1 Gbps, e o DOCSIS 4.0 com taxas de download e upload simétricos “em três a cinco anos”.

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