Novo presidente da Ericsson no Brasil mostra preocupação com OMC, mas otimismo

A Ericsson anunciou oficialmente nesta quinta-feira, 20, a nomeação de Eduardo Ricotta como presidente da fornecedora no Brasil. Ele assume no lugar de Sérgio Quiroga com a missão de manter o crescimento registrado nos últimos trimestres, além de uma possível adequação a mudanças na Lei de Informática após queixas da Organização Mundial de Comércio (OMC) sobre as regras brasileiras.

A Ericsson conta com uma fábrica no País (em São José dos Campos – SP) há 60 anos, além de um Centro de Inovação, com atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, em Indaiatuba, também no interior paulista. Mesmo assim, o Ricotta afirmou a este noticiário que a manutenção da produção local precisará continuar fazendo sentido para a fornecedora. "Risco (de fechar) sempre existe, sempre vamos avaliar o melhor lugar para colocar uma fábrica, e isso continua", diz. "Se perde incentivo e começo a ter fabricação em outro país que é muito mais barato, não tenha dúvida que a gente pode fechar e correr para outro lugar", argumenta, dizendo que a empresa está sempre avaliando estrategicamente as opções sobre a produção.

Ainda assim, ele reitera que "o último cenário que estou pensando é fechar uma fábrica". Até porque isso traz junto também os investimentos que a Ericsson fez em pesquisa, desenvolvimento e inovação. "Hoje eu gasto muito mais em P&D do que eu deveria pela Lei da Informática, porque tendo P&D, acaba impulsionando outros trabalhos que podemos fazer para o grupo globalmente", destaca, avaliando a área como crucial. "Vamos lutar como for possível para manter a fábrica e a P&D no Brasil."

O executivo diz estar preocupado, mas mantém o otimismo em relação às possíveis mudanças nas regras para produção nacional. "Estamos preocupados porque é um incentivo importante para indústria, e a gente está perdendo. Dependendo da decisão da OMC, obviamente tem preocupação porque você desestabiliza um pouco as fábricas e a produção nacional, e isso gera emprego forte no Brasil", declara. "Mas acho que vamos encontrar uma forma, mecanismos e ferramentas para ter uma compensação nesses incentivos se confirmar a decisão (da entidade), e aí temos que tentar viabilizar de outra forma para que a indústria consiga continuar forte."

Serviços

Além da expectativa com as mudanças nas regras, Eduardo Ricotta conta ainda com o desafio de manter o momento de crescimento da empresa no País. Nos últimos três trimestres, a Ericsson Brasil tem mostrado bom desempenho, especialmente na área de redes. "Acho que o ponto de inflexão da indústria, pelo menos para a gente, foi no 3T do ano passado, e aí continuamos crescendo bem forte no 4T", declara. Além de expansão da rede LTE das operadoras (sobretudo em momentos de refarming de 1,8 GHz e de liberação de 700 MHz), a fornecedora experimenta ainda demanda para "transformação digital". "Estamos crescendo em novas áreas: digital services; temos área de virtualização de rede, trabalhando com vários projetos; e costumer experience management, que é como melhoramos para ter de forma mais fácil a visão do cliente", conta.

A companhia também foca em Internet das Coisas, que o executivo considera ainda como um negócio muito fragmentado. "Temos desafio de como ganhar dinheiro nesse ambiente de IoT", avalia. Ricotta diz que a empresa participa de discussões com o governo no Plano Nacional de IoT que deverá ser apresentado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Comunicações e Inovações em setembro.

Futuro

Em relação ao mercado de telecomunicações brasileiro, há a perspectiva de mudança na dinâmica, mas o futuro ainda é incerto. "Você olha o que aconteceu com os próprios fornecedores: em 2G tinha dez empresas; em 3G tinha cinco; e 4G tem três", compara, mencionando consolidações na concorrência. Mesmo assim, o executivo avalia que é difícil prever o impacto de uma consolidação de operadoras. "É difícil falar se eu vou perder um cliente – eu imagino que, quando tem uma consolidação, vamos ter empresas mais fortes que vão comprar mais. Então é muito difícil falar o que vai acontecer", conclui.

Eduardo Ricotta mostra otimismo com os desafios que enfrentará em sua gestão. "Já vinha fazendo desde o dia 1º de abril do ano passado um trabalho com o Brasil (como vice-presidente da empresa para América Latina e Caribe), agora a Ericsson focou mais em alguns países e virei presidente porque estou agregando fábrica e todo o P&D, todas as áreas reportam para mim", diz. "Estou bem feliz, o Brasil é um dos maiores países do mundo, top 6 para a Ericsson mundial, então a gente tem função muito importante", declara.

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