Coronavírus: operadores de telemarketing protestam contra condição de trabalho em diversas cidades

Foto: Pixabay

Ainda que as principais empresas de contact center do País tenham comunicado a adoção de medidas para prevenção do contágio do novo coronavírus (covid-19) entre trabalhadores, profissionais da categoria têm apontado falhas na condução do processo. Por este motivo, paralisações e manifestações ocorreram em diversas cidades brasileiras.

Movimentações do gênero aconteceram nesta sexta-feira, 20, em São Paulo, onde funcionários da Almaviva do Brasil realizaram manifestação em frente a prédio da empresa. No Recife (PE), operadores da Liq se mobilizaram ainda na quinta-feira, 19, enquanto em Goiânia, profissionais da BTCC também realizaram protestos. Já em Niterói (RJ), houve atos envolvendo profissionais da Atento.

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Em Campo Grande, duas unidades da BTCC não funcionaram nesta sexta-feira por conta de determinação municipal para impedimento de aglomerações, enquanto em São Bernardo do Campo (SP), um prédio da Atento foi interditado após pressão de trabalhadores e movimentos sindicais. Já a prefeitura de Salvador determinou que as empresas do segmento operassem com apenas 30% do corpo de trabalho.

Com particularidades, as reclamações dos profissionais contra empresas envolvem falta de condições sanitárias adequadas para as operações, descumprimento de medidas de distanciamento entre os trabalhadores (como escalas para diminuição de equipes) e até mesmo inação após suspeitas de contágio pelo coronavírus entre os funcionários.

Medidas uniformes

Procurado por este noticiário, o Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing (Sintratel) afirmou via e-mail que está discutindo e estabelecendo com as entidades patronais medidas uniformes para todas as empresas, como férias coletivas, alteração de jornada e afastamentos, dentre outras.

"O pensamento do sindicato é de que todos os trabalhadores sejam liberados para realizar o atendimento home office, se possível. Quando não, que assim como os trabalhadores do comércio, [eles] sejam liberados, preservando a saúde, mas sem esquecer do trabalho e renda destes", pontuou o Sintratel.

De acordo com a entidade, uma determinação governamental específica para o setor é de "extrema necessidade"; a percepção é que, sem a orientação expressa, as empresas não devem tomar tal passo. Por outro lado, para o sindicato, caso o governo opte por editar medida provisória (MP) permitindo corte de até 50% na jornada e nos salários dos trabalhadores, como já ventilado, haveria transferência do problema para os funcionários.

Home office

A possibilidade de migração de atividades para o home office foi abordada pela própria Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) em comunicado publicado no início da semana. A opção, contudo, seria utilizada apenas "nas atividades em que é possível do ponto de vista técnico".

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações no Estado de São Paulo (Sintetel), Almir Munhoz reconheceu que boa parte das empresas de contact center não seria capaz de migrar a totalidade das operações para o formato remoto; no início da semana, a entidade pediu redução de 50% nas equipes do segmento, bem como redução de jornada para retirada de pessoal do horário de pico do transporte público.

Operadoras de telecom

Entre as medidas conjuntas anunciadas pelas operadoras de telecom nesta sexta-feira, 20, está a redução do atendimento presencial seguindo orientações do controle sanitário e a ampliação do contato a partir de canais digitais em operações internas. O presidente do Sintetel, contudo, nota que o setor não costuma interferir na operação das empresas prestadoras de serviços terceirizados.

Posicionamento

Em posicionamento enviado na noite desta sexta-feira, 20, a ABT reiterou que "planos de contingência em conformidade com as determinações de órgãos competentes" estão sendo colocados em prática. A entidade também afirmou que "é de extrema importância que o setor prossiga com suas operações, com os ajustes decorrentes das determinações das autoridades públicas". Veja o comunicado na íntegra:

A Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), representante de 18 empresas de contact center no Brasil, acompanha a evolução da pandemia de Coronavirus (COVID-19) no Brasil.

Responsável por serviços essenciais, como atendimento de emergências médicas, telecomunicações, energia e outros atendimentos públicos críticos, é de extrema importância que o setor prossiga com suas operações, com os ajustes decorrentes das determinações das autoridades públicas.

O setor atende milhões de ligações por dia que permitem que as pessoas, inclusive as infectadas ou com suspeitas de infecção pelo COVID-19, utilizem esses serviços essenciais de forma remota e sem a necessidade de uso de transporte público, um dos principais locais de aglomeração nas cidades. Nesse sentido, milhões de pessoas deixam de circular, reduzindo a velocidade de propagação do COVID-19 e reduzindo a pressão sobre os serviços de saúde pública.

Além disso, as empresas associadas à ABT têm implantado Planos de Contingência em conformidade com as determinações de órgãos competentes, construindo ações efetivas para proteger a saúde de seus colaboradores e assegurar a continuidade dos serviços aos cidadãos:

• Intensificação da higienização dos ambientes comuns e postos de trabalho individuais;

• Realização de trabalho remoto ou férias pelos trabalhadores com sessenta anos ou mais, com doenças cardíacas, diabete ou outras doenças graves;

• Monitoramento constante dos profissionais, entre outras medidas, além das já recomendadas pelas autoridades públicas.

A ABT está à disposição das autoridades, entidades da sociedade civil, contratantes e agentes do setor privado para vencer a ameaça do coronavírus.

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