Quadros vê solução da TV digital como caminho para a faixa de 3,5 GHz, mas há muitos problemas

O presidente da Anatel, Juarez Quadros, mostrou a disposição da agência de licitar em breve a faixa de 3,5 GHz, onde há a possibilidade de um bloco de 200 MHz para ser leiloado. Quadros disse, durante Encontro Telesíntese realizado nesta terça, 20, em Brasília, que a agência ainda está analisando as opções para mitigar as interferências com a recepção dos sistemas de TV via satélite operados em banda C (TVRO).

Para ele, a solução adotada no processo de liberação da faixa de 700 MHz , com a coordenação do Gired e uma entidade autônoma (no caso Empresa Administradora da Digitalização – EAD), foi exitoso e poderia ser estudado para os problemas da faixa de 3,5 GHz. Ou seja, quem comprar a faixa se encarregaria de instalar os filtros. Mas Quadros reconhece que a aplicação direta do modelo é complexa, inclusive pelas especificidades técnicas da tecnologia de recepção de satélite utilizada por estes sistemas, considerada muito rudimentar.

A primeira dificuldade é dimensionar o problema, pois ninguém sabe ao certo quantas antenas de banda C existem em operação, nem onde estão. Estas antenas e receptores foram adquiridas no varejo e não estão vinculadas a nenhum serviço regulado. A segunda é que a faixa usada para a recepção de banda C não é a mesma que seria utilizada para o LTE, e não existe nenhum problema para a comunicação terrestre, ou seja, o sinal do satélite não interfere numa eventual operação de LTE. Isso significa que não necessariamente o comprador da faixa se sentirá compelido a mitigar o problema de interferência que não afeta o seu serviço.

Outra dificuldade é que a faixa de 3,5 GHz já foi vendida antes sem a necessidade de instalação de nenhum tipo de mecanismo de mitigação de infraestrutura. E ao contrário da faixa de 700 MHz, cuja venda para as teles acabou sendo utilizada para impulsionar a TV digital (que era uma política pública), no caso da faixa de 3,5 GHz, a recepção de TV via satélite não goza do mesmo status (ainda).

Vale lembrar que, formalmente, o sinal de TV na banda C não deveria estar sendo recebido por usuários residenciais, mas apenas pelas próprias emissoras de TV, mas sistemas de recepção mais simples acabaram suprindo a falta de cobertura dos sinais terrestres de TV. Historicamente as emissoras preferiram não digitalizar as transmissões para não perderem esta audiência das parabólicas. A banda C, involuntariamente, se tornou um mecanismo de massificação da TV aberta para regiões sem cobertura dos sinais terrestres.

O assunto, portanto, mobiliza pesadamente as emissoras de TV, que têm parte considerável de sua audiência na banda C do satélite. Mas mesmo entre as empresas de telecom há posições diferentes. O grupo Claro Brasil, por exemplo, hoje é o principal provedor de capacidade de satélite para os serviços de TV aberta, e tem sido um forte opositor da abertura da faixa de 3,5 GHz sem um cuidado na mitigação das eventuais interferências.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.