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Mobile money: interoperabilidade no Brasil virá quando houver massa crítica

Com o lançamento esta semana do Multibank, serviço de mobile money criado por TIM, Caixa e Mastercard, o Brasil passa a ter um produto desse tipo oferecido por cada uma das quatro maiores operadoras de telefonia celular que atuam no País. Os outros três são o Zuum, da Vivo com a Mastercard; o Meu Dinheiro Claro, da Claro com o Bradesco; e o Oi Carteira, da Oi com o Bando do Brasil. O problema é que essas carteiras móveis não dialogam entre si. Por enquanto, os usuários só conseguem realizar transferências para outros clientes do mesmo serviço. É o mesmo cenário que havia no começo do SMS no País, cerca de 15 anos atrás.

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A regulamentação do Banco Central exige que em algum momento os serviços sejam interoperáveis, mas não estabelece um prazo. Na opinião de Marcelo Tangioni, vice-presidente de produtos da Mastercard, isso só acontecerá quando houver massa crítica. "Na indústria, todos têm consciência da importância da interoperabilidade. Mas a prioridade hoje está na introdução dos serviços e de suas funcionalidades básicas. A interoperabilidade vai ser importante em um segundo estágio, quando houver massa crítica", analisa o executivo.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a falta de interoperabilidade não é vista entre as teles como uma maneira de cada uma reter seus clientes. "Encaramos a interoperabilidade de forma positiva. Será como uma funcionalidade a mais do serviço", afirma Roger Solé, diretor executivo de marketing da TIM.

Análise

Os serviços de mobile money através de USSD e SMS nasceram primeiro na África, aproveitando-se da baixíssima penetração de serviços bancários e da alta penetração de telefonia celular nos países daquele continente. Acrescente-se ainda o processo migratório do campo para as cidades, que gerou uma intensa necessidade de envio de valores para parentes no interior. Para completar, em vários países africanos é comum haver uma operadora móvel como líder absoluta do mercado, com 50% ou mais de share. Esse fator foi decisivo para o sucesso dos serviços de mobile money, pois a interoperabilidade praticamente não era necessária.

No Brasil, esses serviços estão chegando somente agora por uma série de razões. Uma delas é que a necessidade aqui não era tão premente quanto na África. Embora haja um grau enorme de desbancarização, a vasta rede de correspondentes bancáriso supre parte da necessidade da população por serviços financeiros básicos.

A forte competição do mercado móvel brasileiro também é um entrave neste primeiro momento, enquanto não há interoperabilidade dos serviços. O fato de só ser possível enviar valores para quem tiver uma linha da mesma operadora atrapalha. Contudo, o fenômeno dos aparelhos multiSIMcard pode atenuar o problema. Da mesma forma em que há gente com duas ou mais linhas pré-pagas de teles diferentes no mesmo aparelho, poderá haver gente com duas ou mais carteiras móveis no mesmo telefone, usando SIMcards de diferentes operadoras.

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