Telecom Italia planeja investir 14,5 bi de euros até 2017: Brasil receberá 4 bi

Com foco em inovação, em especial na infraestrutura de banda larga, o plano estratégico para o triênio de 2015 a 2017 da Telecom Italia para o grupo, incluindo a TIM Brasil, foi anunciado nesta sexta-feira, 20. A companhia pretende investir R$ 14 bilhões no Brasil (4 bilhões de euros), enquanto na Itália o investimento será de 10 bilhões de euros. Ao todo, o grupo planeja um Capex de 14,5 bilhões de euros no período.

Apesar de menor do que o aporte destinado à Europa, o pacote para a TIM Brasil é maior do que o plano anterior, que foi de R$ 11 bilhões até 2016, sendo R$ 1,5 bilhões apenas para a rede LTE. Para o País, a ideia do chamado "Projeto Turbo" é aumentar a cobertura do 4G para mais de 15 mil sites e da 3G para mais de 14 mil sites até 2017. No ano passado, a operadora chegou a 125 cidades de cobertura LTE. "No Brasil, o Capex terá financiamento próprio, possibilitado com as vendas de torres e com a redução na distribuição dos dividendos para o patamar mínimo no próximo ano", explicou o CEO da Telecom Italia, Marco Patuano, em teleconferência para investidores.

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A divisão de investimentos segue a lógica da rentabilidade. No ano passado, a TI registrou 15,303 bilhões de euros em receita, ou 70,9% do total. Já a TIM Brasil mostrou 6,244 bilhões de euros em receita, ou 28,5% – participação diminuída em relação a 2013, quando tinha 29,7% do total do grupo.

Com o plano de investimentos do triênio, a expectativa do grupo é de que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) doméstico seja estável até 2016, aumentando em 2017. Para o Brasil, o EBTIDA deverá crescer continuamente nesses três anos. A relação EBTIDA/dívida ajustada tem previsão de queda: de três vezes para 2,5x até o final do período.

Brasil

"Esse é um momento de definição para nós. Reafirmamos o comprometimento com um plano de longo prazo, com equilíbrio entre objetivos estratégicos e financeiros", disse o presidente da TIM Brasil, Rodrigo Abreu. Ele reconhece que o cenário macroeconômico é desfavorável atualmente no País, mas diz acreditar no prospecto do mercado nacional e afirma que a companhia "tem se comportado de maneira boa, com crescimento no EBTIDA".

Abreu destaca a tendência de aumento de receita com dados, enquanto serviços de interconexão (por conta do corte da VU-M), SMS (devido ao aumento de uso de aplicativos over-the-top) e de voz têm mostrado queda. "A oportunidade fica na Internet e em serviços digitais, é onde está a maior parte de nosso interesse e foco. Será a chave não apenas para o crescimento, mas também para o volume. Em curto prazo, os dados serão mais de 50% da receita", prevê, usando como base a atual proporção de 45% da receita. Outra estratégia da TIM Brasil é a de se concentrar em manter a liderança no que chama de "big middle", ou a faixa de usuários pré-pagos ou com plano de controle. Mesmo nessa faixa, os dados são importantes: daí o investimento em parcerias de conteúdo OTT, como realizado com a Deezer e com o WhatsApp.

Para proporcionar o atendimento a essa demanda de dados, a operadora quer investir em infraestrutura, aumentando a cobertura 4G. Para as áreas urbanas, Rodrigo Abreu ressaltou a estratégia das redes heterogêneas (HetNets), em especial após a pressão que a operadora fez no governo para diminuir as taxas cobradas para small cells com potência acima de 1 W.

Com atualmente cerca de 30% do mercado de LTE no Brasil, a tele investe também em espectro para aumentar sua participação na banda larga móvel. "Praticamente não investimos mais em 2G, e temos três importantes frequências no 4G, o 700 MHz, o 2,5 GHz que já tínhamos, e, além desses dois, começamos o refarm em 1,8 GHz, o que vai melhorar a cobertura". O presidente da TIM destaca ainda que o preço dos handsets tem caído ao longo do tempo, o que ajudará no crescimento da base 4G.

"O Projeto Turbo vai aumentar o Capex organicamente em R$ 4 bilhões ao ano, chegando a um total de R$ 14 bilhões nos próximos anos, e isso vai sustentar nosso crescimento, de EBTIDA também, melhorando nossas margens", diz Abreu. "O plano todo será totalmente financiado por nós mesmos, e estamos gerenciando enquanto pagamos o dividendo mínimo, sabemos que essa flexibilidade é chave para nós e acreditamos que, com isso, vamos posicionar a companhia como líder em dados", justifica. Ele destacou ainda a oportunidade para aumentar as sinergias entre as áreas comercial e técnica, com um controle "muito natural" de custos.

Outra maneira de proporcionar esses investimentos será com a venda das torres. A Telecom Italia espera concluir a operação ainda neste ano por R$ 2 bilhões, com efeito líquido na posição financeira de R$ 700 milhões. "O objetivo era ter maior flexibilidade, sempre falamos que o objetivo não era maximizar (o preço), o que queríamos era desbloquear o máximo de valor na transação, mas também colocar uma taxa de custos do aluguel, que estará abaixo do valor de mercado", argumenta Abreu.

Consolidação

Uma eventual negociação com a Oi para consolidação no mercado nacional não foi totalmente desconsiderada, mas o CEO da Telecom Italia fez questão de dizer que não é sua prioridade no momento. "Como vocês podem imaginar, nossa mesa está bem cheia no momento com as coisas que temos que fazer, infelizmente não temos lugar para mais coisa agora", disse Marco Patuano.

Ainda assim, ele comentou a questão da venda do ativo brasileiro, ou de ao menos de um possível fatiamento, em relação à dissolução da holding Telco após a saída da Telefónica, que passa a ser acionista direta na italiana. "No Brasil, isso não depende da Telco. Se existir ou não (a holding), vamos ter o mesmo processo de governança de vender – eventualmente – ou avaliar uma oferta para a venda da TIM Brasil, ou mesmo porções", diz, enfatizando a palavra "eventualmente". Patuano explica que a negociação teria de ser tratada como negócio relevante e discutida com membros independentes do board, que ele diz que representam três quartos do total. "Ou seja, não tem problema."

Itália

Do plano de investimentos domésticos, cerca de metade (5 bilhões de euros) será destinada a "desenvolvimentos inovadores", como LTE, redes de próxima geração e cloud computing. Além disso, planeja cobrir 75% da população com fibra óptica (cerca de 500 milhões de euros só para o FTTH) e acima de 95% com redes 4G (cerca de 900 milhões de euros) até 2017. Trata-se de 1,1 bilhão de euros mais para a Itália do que o plano anterior.

Com isso, o grupo, que passará a assumir a marca única de TIM também na Itália, tem planos ambiciosos no mercado doméstico. A empresa espera que a base de LTE saia dos atuais 13% do total para 60% em 2017. Além disso, quer aumentar o quadro profissional de jovens com entre 20 e 30 anos, para conseguir maior inovação – a média atual na companhia é de 48 anos. Outra medida é a de diminuir em 20% o Opex em marketing. A companhia planeja diminuir a dívida líquida em 700 milhões de euros por ano – em 2014, incluindo o impacto dos leilões de frequências no Brasil e na Argentina, a dívida da Telecom Italia era de 26,65 bilhões de euros.

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