Radiodifusão reclama por não participar em testes de interferência na faixa de 700 MHz

O setor de radiodifusão está insatisfeito com o fato de não ter sido chamado para participar dos estudos sobre a interferência entre a TV digital e o LTE que serão conduzidos pela Anatel. "Não tivemos acesso a nenhum estudo de campo que demonstre que a banda de guarda de 5 MHz garanta que não haja interferência. Nós não fomos convidados aos estudos que a Anatel fará, embora isso possa ser revertido", afirmou o presidente da Abert, Daniel Slaviero.

O conselheiro da Anatel Jarbas Valente procurou minimizar esse eventual atrito com o setor privado. Segundo ele, qualquer interessado terá acesso à documentação e à fundamentação do estudo. Além disso, a ideia é que o estudo seja feito com algum instituto brasileiro ou de fora que utilize os critérios para que ele possa ser aceito pela UIT.

De qualquer maneira, a Anatel está confiante que a opção pelo modelo Ásia-Pacífico (APT) – que trabalha com 5 MHz de banda de guarda – minimize bastante a chance de interferência. Para o conselheiro Jarbas Valente, a banda de guarda de 5 MHz "garantiria todo o processo".

Para o diretor de relações governamentais da Qualcomm, Francisco Giacomini Soares, o fato de o 3GPP ter padronizado o modelo garante que a interferência, que ele não descarta que ocorra, seja possível de ser reparada. "O 3GPP padronizou isso aí baseado na experiência do Japão inclusive. Algum tipo de interferência pode acontecer, mas dá para gerenciar isso com engenharia, isso é possível de se fazer", afirmou ele.

De qualquer forma a Sociedade de Engenharia de Telecomunicações (SET) já decidiu que vai contratar por conta própria um estudo para investigar a interferência entre os dois sistemas.

O conselheiro Jarbas Valente informou que a Anatel fará uma simulação da interferência utilizando a infraestrutura da Motorola instalada no Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército em Brasília. A infraestrutura foi montada para que o Exército teste uma solução de segurança pública da companhia que usa o LTE na faixa de 700 MHz.

Dentro do setor, o teste da Anatel é visto com desconfiança porque Brasília não é uma cidade onde há congestionamento de espectro na faixa. Além disso, a infraestrutura da Motorola trabalha no modelo americano e não no Ásia-Pacífico, escolhido pelo Brasil.

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