A construção das Cidades Inteligentes

Foto: Pixabay

Você já deve ter ouvido falar em vários lugares sobre o termo "cidades inteligentes" ou "Smart Cities" e em como elas podem e irão ajudar com o desenvolvimento e planejamento urbano, com base na tecnologia da informação e comunicação (TIC) e Internet das Coisas (IoT), certo? Mas, o que lhe vem em mente quando você imagina uma cidade inteligente? Quais são os caminhos e quem são os agentes envolvidos em um projeto de cidade inteligente? Quais os critérios para considerar uma cidade "Inteligente"?

As cidades inteligentes há tempos estão no imaginário social, principalmente quando lembramos de filmes como "De volta para o futuro", feito nos anos 80, onde carros e skates voadores, tênis inteligentes, câmeras de reconhecimento facial, entre outras tecnologias, estavam presentes no cotidiano dos cidadãos. Isto para não falar no desenho animado Os Jetsons, dos anos 60, tão futurista quanto.

Várias daquelas previsões não se concretizaram, mas inúmeras outras sim, como os autopostos para abastecimento de carros elétricos, sistemas de segurança inteligentes (alarmes residenciais, sensores de monitoramento de microclimas), drones que substituem os carteiros convencionais e câmeras que monitoram imagem facial e temperatura corporal, hoje são alguns exemplos de tecnologias que têm sido incorporadas ao 'mundo real'.

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Por isso, pensar em como compatibilizar todas as inovações que surgem todos os dias, de maneira equilibrada para viabilizar os centros urbanos, é uma necessidade cada vez mais fundamental, tendo em vista que aproximadamente 70% da população mundial viverá em grandes cidades até 2050, de acordo com estimativas da ONU. E as inovações não podem considerar apenas o uso individual; elas precisam conversar umas com as outras e com todas as demais redes que possam existir em uma comunidade.

Uma "Smart City" é uma cidade que se desenvolve tendo a tecnologia como eixo fundamental do planejamento e da execução das atividades cotidianas. Isso quer dizer que pontos de ônibus, escolas, comércios, semáforos, caminhões de lixo e todos os demais agentes urbanos, precisarão estar conectados à internet, provendo constantemente informações em tempo real sobre a cidade e para a cidade.

Essas informações são essenciais para as tomadas de decisões imediatas, como no caso de um eventual crime cometido em um determinado comércio dentro da cidade: as informações geradas por câmeras e outros devices na área, vão gerar dados precisos para as autoridades agirem com assertividade, além de serem usados para a "inteligência" da cidade, ou seja, para que sejam criadas políticas públicas de segurança. 

Atualmente, existem apenas 79 cidades certificadas no mundo como "Smart Cities". Nova York, Amsterdã e Tóquio são algumas que já estão nessa lista, porque encontraram uma forma de replanejar questões relacionadas aos problemas do dia a dia de uma metrópole, como trânsito, meio ambiente, educação, economia, empreendedorismo e segurança pública, com base na conectividade de nuvem (cloud), big data, conexão wireless, videomonitoramento e, claro, Internet das Coisas (IoT). 

E ainda que relativamente novo, o mercado de soluções tecnológicas para Smart Cities já movimenta globalmente cerca de US$ 408 bilhões por ano, de acordo com publicações da ENEL-X.

Como um grande sistema nervoso, a Internet das Coisas é o modo pelo qual objetos físicos estão conectados uns com os outros (M2M) e com os usuários. Itens como geladeiras, máquinas de lavar roupas, televisões, carros, relógios e smartphones são ótimos exemplos disso. A IoT é que vai garantir a existência das Cidades Inteligentes, pois é por meio desta tecnologia que acontece a integração do cidadão com todos os sistemas de gestão e funcionamento das cidades.

Big Data

Quando pensamos em sistemas capazes de abranger centros urbanos inteiros, não podemos deixar de pensar no Big Data. Isso porque este conceito é que orienta a produção e armazenagem de uma enorme quantidade de dados na nuvem (cloud), permitindo trabalhar com análises preditivas para tomadas de decisões, com base em características como, volume, velocidade, variedade, valor e veracidade etc. São essas categorias que definem a eficiência do processamento de dados de um sistema data-driven.

Os projetos de Cidades Inteligentes precisam envolver o planejamento de muitas redes de informação dentro de uma cidade inteira, porque cada uma delas, a despeito de cumprir a uma situação específica, precisa se conectar ou estar disponível para todas as outras. Afinal, se a prefeitura da cidade usa lâmpadas conectadas e uma delas queima, é preciso planejar o envio de uma equipe de manutenção para substituí-la e isto envolve o deslocamento de pessoas, veículos, ferramentas e uma nova lâmpada, impactando desde o trânsito até a fábrica desses produtos, que podem estar do outro lado do mundo.

Projetos de Smart Cities na prática

Empresas como a ConnectoWay, por exemplo, enxergam as evoluções tecnológicas e já buscam entregar soluções com maior valor agregados, considerando uma série de aplicações, desde um equipamento de Wi-FI 6 que comporta mais devices conectados e a uma velocidade bem maior quando comparado com o padrão anterior (Wi-Fi 5: 802.11ac), até sistemas de gestão em nuvem, porque de forma escalonada, tudo estará conectado com uma inteligência preditiva e corretiva que aumenta a performance e resiliência da rede.

As cidades inteligentes, portanto, estão sendo construídas aos poucos, mas, é importante considerarmos, desde já, que cada novo sistema que é instalado, cada novo equipamento adquirido, precisará, em algum momento que não está distante, "conversar" com alguma outra rede (legado).

O importante é sabermos que a conectividade de qualidade e a utilização do Big Data em Nuvem para abrigar o fluxo de dados dos projetos é essencial e não necessariamente essas iniciativas precisam partir do poder público. Os ISPs, por exemplo, serão os grandes responsáveis pelo fornecimento das tecnologias de Smart Cities, tendo em vista que a conectividade está no cerne de suas entregas e hoje podem se posicionar com um hub de serviço de tecnologia em suas regiões.

Ou seja, é cada vez mais estratégico que os ISPs percebam que os projetos de Cidades Inteligentes são uma tendência, principalmente com a chegada do 5G em território nacional. Será uma mudança de paradigma que abrirá as portas para o acesso à tecnologias IoT, Videomonitoramento com IA, Wi-Fi em larga escala, dentre outros novos serviços, e que consequentemente demandará muito mais do que uma conexão.

Novos serviços de valor agregado com base em segurança de dados, gestão e armazenamento em nuvem, entre outras soluções para clientes finais precisarão ser oferecidas, seja para pessoas físicas, ou para shoppings, escolas, condomínios, aeroportos ou demais espaços públicos. Um leque de oportunidades surge, portanto, para aqueles provedores que conhecem sua área de atuação e conseguem identificar os desafios de seus usuários locais. 

* Sobre o autor – Paulo Brida é especialista em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Executivo da ConnectoWay

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