Momento econômico do Brasil exige cautela, diz CEO da América Móvil

No balanço financeiro do segundo trimestre, a América Móvil Brasil (Claro, Embratel e Net) apresentou quedas nas receitas e nas bases fixa e móvel. Na avaliação do CEO da controladora mexicana, Daniel Hajj, isso está acontecendo porque o momento de crise ainda exige cautela, uma vez que o cenário afeta a quantidade de desconexões, que têm acontecido sobretudo no pré-pago móvel e na TV paga. "No Brasil, a situação é difícil no lado político e econômico no País, mas acho que estamos fazendo investimentos, estamos tentando reduzir custos e fazer sinergias. Não é algo do dia para o outro, mas estamos crescendo o EBTIDA mais de um ponto em relação ao ano passado", declarou ele nesta quarta-feira, 19, durante teleconferência para analistas. O executivo diz que a companhia tem bom desempenho no Brasil em geral, mas ressalta que o nível de desemprego também afeta o consumo desses serviços.

Hajj também chama atenção para o mercado corporativo, onde a companhia encontra dificuldades em guerra de preços. "Estamos tentando obter o melhor disso, a competição tem sido muito intensa nesse mercado e isso faz com que as receitas estejam caindo", declara. Para resolver isso, a empresa investe em serviços complementares (como SVAs) para compensar.

Segundo o diretor-executivo de operações de linhas fixas da AMX, Oscar Von Hauske Solís, a empresa tem obtido avanço na receita média por usuário (ARPU) no segmento. "Se você ver o mercado total, o fixo está caindo, mas se dissecar as receitas, estamos indo muito bem em banda larga, crescendo 17% no ARPU", conta. No caso da TV paga, contudo, há "muitas desconexões, principalmente em satélite, no mercado low-end, mas estamos crescendo no ARPU em todas as demais plataformas de TV".

Móvel

No segmento móvel, a Claro tem como estratégia oferecer ligações ilimitadas no pós-pago. Daniel Hajj ressalta que essa é uma opção razoável, sem envolver guerra de preços. "Estamos um pouco mais agressivos sim, mas não tanto", diz. A TIM e a Oi foram para o mesmo caminho. Ele avalia a ação como bem aceita pelo cliente, e que tem proporcionado crescimento na ARPU. "Em número de portabilidade, temos um dos maiores do Brasil neste momento, então as pessoas estão preferindo esse tipo de plano", declara. "Mesmo no pré-pago, estamos também crescendo receitas, paramos de cair."

O CEO da América Móvil esclarece que a operadora pretende manter a política de planos, mas que isso dependerá do comportamento do mercado e dos competidores. "Não posso garantir que não vamos fazer nada, mas posso dizer que queremos ser competitivos no mercado de pós, não queremos crescer sem ser lucrativos", pondera. Reiterou ainda que a estratégia de subsídio de handsets no mundo inteiro só faz sentido para o mercado pós-pago, uma vez que se tem contrato e a garantia de manter o cliente pelo prazo estipulado. "Dar muito subsídio (em pré-pago) na América Latina não faz muito sentido."

Hajj destaca investimentos na rede da operação brasileira, afirmando que a infraestrutura da Claro tem garantido boa percepção de qualidade por parte do cliente. "Estamos investindo muito no Brasil e estou muito confortável com nossa estratégia e a gestão lá, e com o tempo vamos ver números ainda melhores."

Global

O executivo comentou também a estratégia em outros países durante a teleconferência. Voltou a afirmar que, caso os agentes reguladores permitam, a intenção é adicionar o serviço de vídeo nos mercados mexicano e argentino. "O México é o único lugar onde há uma limitação para telco dar TV, e não faz nenhum sentido. Espero que a Ifetel (Instituto Federal de Telecomunicações, órgão regulador mexicano) entenda isso, revise e nos dê a permissão para a gente operar TV", ressente. No caso da Argentina, a América Móvil já atuaria entregando o serviço pela mesma fibra com a qual oferece banda larga.

Mesmo sem a possibilidade de convergência, o mercado doméstico da América Móvil continua em constante mudanças. Há também uma proposta de separação de ativos, item que está sendo revisto pela Ifetel com um grupo de representantes da subsidiária Telmex. No momento, a companhia deverá entregar informações adicionais requisitadas, mas Hajj espera que o processo de aprovação seja resolvido entre o último trimestre deste ano e o primeiro de 2018.

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