Após punição da Anatel, ações da TIM fecham em baixa de 9,09%

As punições impostas pela Anatel às operadoras de telefonia móvel TIM, Oi e Claro tiveram fortes repercussões na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) ao longo da jornada de negócios desta quinta-feira, 19. As ações ordinárias da TIM tiveram queda de 9,09%, influenciada pela decisão de proibir as vendas de novos chips da empresa em 19 estados do País. Também sancionada pela Anatel, a Oi teve resultado melhor, fechando o pregão com alta de 1,46% em suas ações ordinárias, ao tempo que a Vivo, única operadora a não sofrer punições, terminou o dia com queda de 1,58% em suas ações preferenciais.

"O mercado está maluco”, afirmou o analista da corretora SLW Pedro Galdi, para quem o que pode estar havendo é uma forte especulação de que a Vivo também acabe sendo prejudicada pela decisão da Anatel. Galdi acredita que o cenário “não é muito claro” para entender o que está acontecendo de fato.

A analista do Banco Fator Jacqueline Lison também estranhou a oscilação da operadora justo quando haveria razões para alta. “O problema é que o mercado está dominado por incertezas”, diz. Para ela, os critérios utilizados pela Anatel foram “confusos”, deixando a TIM como a maior prejudicada, enquanto a Vivo se beneficiou e a Oi “ficou no meio termo”. “Não só pela concorrência, mas também pelo aumento da percepção de qualidade da Vivo”, afirma.

Para Jacqueline, a movimentação do mercado em relação à TIM era esperada, mas estaria sendo “um pouco exagerada” por acumular quase dez pontos de queda. A questão, segundo ela, é que a operadora pode estar sofrendo os efeitos de uma volatilidade já existente. “Este é o segundo grande problema da operadora, que já sofrera a perda do CEO Luca Luciani”, argumenta.

A analista observa que, mesmo que todas as empresas consigam entregar à Anatel seus respectivos plano de ações, o assunto já ganhou muita repercussão na mídia. “Claro que mitiga se não houver proibição, mas há um prejuízo à imagem”, conclui.

Desempenho abaixo da média

Agravando ainda mais a situação da TIM, o banco de investimentos suíço Credit Suisse retirou a recomendação da operadora no Brasil. A firma rebaixou os papéis de "neutro" para "desempenho abaixo da média do mercado", sugerindo comprar ações da rival Telefônica Brasil S/A (Vivo) por não ter sido afetada pelas medidas da Anatel. A Oi não sofreu tanto o impacto porque a decisão da agência "foi limitada a uma pequena porção de suas operações".

Segundo a Credit Suisse, o setor de operadoras já demonstrava sinais de desaquecimento baseada em saturação de mercado, competição rejuvenecida da Oi e fraco crescimento econômico. "A proibição temporária nas vendas de novas linhas e aumento na rigidez regulatória sobre qualidade provavelmente deverão criar mais desafios para o crescimento, especialmente para a TIM".

O desempenho negativo afetou a própria Telecom Italia: a negociação dos papéis chegou a ser suspensa por conta da forte queda de 7,06% na bolsa de Milão.

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