Para Evernote, futuro será da Inteligência Aumentada

Vender a ideia de financiar um aplicativo para concorrer com praticamente qualquer device eletrônico criado não foi fácil para o CEO da Evernote, Phil Libin. Mas a abordagem de proporcionar mais do que um simples bloco de notas acabou fazendo a fama da empresa, que agora disponibiliza o app para sistemas operacionais móveis (Android, BlackBerry, iOS e Windows Phone) e desktops (Windows 8, Mac OS/X) de forma integrada. E ele sonha alto. A ideia é começar a pensar no futuro em longo prazo e, nos próximos passos, investir em interfaces como os óculos de realidade aumentada Google Glass e as comunicações máquina-a-máquina (M2M) da Internet das coisas.

Primeiro, é preciso demonstrar o que pode ser feito. Mesmo que o app ofereça mais funções e planeje saltos maiores, muitos dos usuários ainda o utilizam para simples anotações. "Enquanto ficávamos mais velhos, ficamos mais confortáveis com isso. Paramos de tentar forçar as pessoas a usar mais", resigna-se. E reconhece: "Assim que paramos de tentar, começamos a nos comportar mais como um aplicativo de tomar notas". A solução encontrada foi passar a integrar mais funções às características do produto. "Nunca pensamos no Evernote como um bloco de notas, mas como um cérebro extra". "Em três ou cinco anos, o grande desafio é desenhar para os próximos devices, como óculos, pedômetros, geladeiras, TVs… Isso vai ser completamente diferente para as pessoas", diz.

Um desses exemplos já está prestes a virar realidade para os usuários. A empresa está trabalhando diretamente com o Google na criação de software para o projeto Google Glass, que está atualmente em fase beta. "Não vai ser mainstream nos próximos anos, mas sua vida vai ficar completamente diferente, uma mudança maior do que foi sair dos PCs para os smartphones", garante. Isso porque o centro do aplicativo não será mais o device, mas, sim, a própria pessoa, que poderá usar o programa em qualquer plataforma, incluindo o computador e o telefone. "Daqui a três anos, ninguém poderá fazer um app que não seja intercomunicável. Ninguém sabe como fazer um wireframe que se comunique assim, mas algumas empresas logo vão descobrir e vão dominar. Esperamos que sejamos nós."

Inteligência

Para um prazo mais imediato, além de uma versão completamente remodelada para o iOS 7, a ideia de Libin é começar a colocar mais funções do que ele chama de "Inteligência Aumentada", ou seja, combinar tecnologia semântica para promover conteúdo contextualizado e relevante ao usuário. A intenção é que o Evernote dê a ideia antes que a pessoa pense que precisará. Atualmente, já existem funções do tipo embutidas no app, ainda que rudimentares, como a previsão de título das notas baseado em informações de calendário. Mas a tendência é investir mais nisso. "Em longo prazo, queremos deixar o Evernote mais inteligente. A meta é que ele complete seus pensamentos e faça conexões melhores. Vamos ver a busca (por um termo na Internet) como uma falha – se for preciso procurar, é porque o app não se antecipou", explica.

A Evernote descarta o envio de informações dos usuários para os servidores da empresa, o que Phil Libin considera como uma violação de privacidade. "Não fazemos análise de seus dados para nós, para mostrar propaganda ou mesmo para comparar com outros usuários. Vemos de uma maneira privada", declara. "Não somos uma companhia de big data, somos uma com 65 milhões de small data", brinca. A visão diferente acerca da neutralidade de rede (e de dados), diz, dificulta o trabalho, mas respeita a privacidade dos usuários.

Negócios

De maneira semelhante, a empresa encara seu próprio modelo de negócios com uma visão diferente. Tirando um breve momento em 2011, de acordo com Libin, a empresa ainda não se mostrou lucrativa, mesmo com investimentos grandes. "Conseguimos mais de US$ 250 milhões, mas a maior parte foi para investir na própria empresa", revela. Assim, a desenvolvedora triplicou o número de funcionários, totalizando mais de 300 atualmente. Na visão dele, quando o negócio ainda está se buscando a lucratividade, há mais oportunidade para a inovação. Dessa forma, abrir capital não é o objetivo. "Acho importante separar liquidez e saídas. O IPO não é uma meta. É um passo importante, mas só mais um passo", garante. A meta mesmo da Evernote é ser duradoura. "Queremos ser uma empresa de cem anos", declara.

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