Estudo japonês sobre interferência não considera relevo e edifícios, afirma Qualcomm

O estudo japonês apresentado pelo setor de radiodifusão à Anatel, que estima um custo de US$ 3 bilhões para mitigar problemas de interferência entre a radiodifusão e o LTE na faixa de 700 MHz, usa um modelo de propagação de sinal que mostra a pior condição de interferência. O diretor sênior de relações governamentais da Qualcomm, Francisco Giacomini Soares, explica que o modelo teórico usado pelo Japão, denominado de espaço livre, não considera o relevo e outros tipos de obstáculos e, por isso, mostra a pior condição de propagação de sinal do ponto de vista da interferência.

"Certamente, na realidade, você vai conseguir atender. Ele (o modelo de propagação usado) pega o pior caso, como se a Terra fosse toda plana e sem obstáculos", afirma ele. Por este motivo, Giacomini duvida que o custo real de mitigação da interferência no Japão chegue aos US$ 3 bilhões, como concluiu o estudo.

No Brasil, segundo ele, considerando uma banda de guarda de 5 MHz, conforme definido pelo 3GPP, não haveria razão para acreditar que a interferência possa custar algo parecido com esse valor, mesmo considerando a dimensão geográfica muito superior do Brasil em relação à japonesa. "Eu nunca falei que não ia ter problema de interferência, mas sim que eles podem ser resolvidos. Para isso existem os engenheiros". Segundo ele, os receptores de TV com mais chance de serem prejudicados são aqueles que estão no limite da cobertura da radiodifusão, que ocupam o canal de 6 MHz mais próximo da banda de guarda e que estejam próximos de uma estação de LTE. Ele argumenta que ninguém sabe quantos domicílios atenderiam a essas condições, mas "não é tão grande assim". "Posso dar um filtro, posso colocar um reforçador de sinal e isso não custa US$ 3 bilhões", sustenta. "O impacto não é tão feio como o pessoal da radiodifusão está dizendo", completa o diretor da Qualcomm.

O executivo também explica que a opção do governo japonês de ter uma banda de guarda de 8 MHz não aconteceu por conta do risco de interferência entre os dois sistemas, mas sim porque em 2005 quando o Japão decidiu sobre a destinação da faixa optou-se que o serviço móvel começaria um pouco mais à frente do padrão harmonizado na região, a APT. Assim, no Japão o dividendo digital vai ser um pouco menor, porque a radiodifusão vai até 710 MHz e não 698 MHz. Se fosse dado mais um canal de 6 MHz para a radiodifusão, a banda de guarda seria de apenas 2 MHz, abaixo, portanto, dos 5 MHz recomendados pelo 3GPP. A opção dos japoneses foi encerrar o serviço de radiodifusão em 710 MHz, e por isso, a banda de guarda ficou com 8 MHz. 

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