FAA: 62% da frota aérea dos EUA está apta para atuar em harmonia com 5G

Foto: PIxabay

[Publicado originalmente no Mobile Time] O FAA, órgão regulador aéreo dos Estados Unidos similar à brasileira ANAC, soltou uma nota na tarde desta quarta-feira, 19, informando que 62% da frota comercial dos Estados Unidos pode efetuar voo em baixa visibilidade em aeroportos onde as operadoras de AT&T e Verizon instalarão o 5G na banda C (3,7 GHz).

De acordo com o regulador, os filtros instalados pelas operadoras de telecomunicações em 50 aeroportos permitem que cinco tipos de radioaltímetros sejam usados em harmonia com a rede 5G. Esses radares estão nos seguintes modelos de aeronaves:

  • Boeings 717, 737, 747, 757, 767, 777;
  • McDonell Douglas MD-10/-11;
  • E os Airbus A300, A310, A319, A320, A330, A340, A350 e A380;
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A nota vem após várias companhias aéreas, como EmiratesAir IndiaANA e JAL, cancelarem voos nesta quarta-feira com receio de interferência entre as antenas da quinta geração e os radioaltímetros dos seus aviões.

De acordo com o aplicativo Flight Aware (AndroidiOS) 1,3 mil foram atrasados e 288 foram cancelados, vindo, saindo ou fazendo trajeto interno nos EUA nesta data. Importante dizer que, além de todo imbróglio com o 5G, o clima com chuvas e nevascas está afetando o tráfego aéreo no país nesta quarta-feira em cinco aeroportos de relevância regional e internacional, segundo o sistema nacional aéreo norte-americano:

  • Em Boca Raton, Flórida, o aeroporto local está fechado;
  • Em Houston, Texas, o aeroporto internacional George Bush está com atrasos de 72 minutos em média por tempestades;
  • E em Salt Lake City, Utah, Internacional de Denver, Denver; e Internacional de Bangor, Maine, os aviões estão recebendo líquido descongelante para remover o gelo e a neve.

Repercussão

O problema de interferência entre o 5G e o radioaltímetro foi motivo de crítica por AT&T e Verizon na última terça-feira, 18. As duas se comprometeram em não conectar as antenas da quinta geração perto de aeroportos. Elas culparam a FAA por não resolver a questão, lembrando que em outros 40 países as telecomunicações em 5G e a aviação estão funcionando em harmonia.

Em seu perfil no Twitter, a FAA se defendeu com a fala do secretário de transporte dos EUA, Pete Buttigieg: "Nós reconhecemos a importância econômica e apreciamos que companhias de telecomunicações continuem trabalhando conosco para proteger o tráfego aéreo e a cadeia de suprimentos do país. A complexidade do espaço aéreo norte-americano lidera o mundo em segurança devido aos nossos altos padrões para aviação e nós vamos manter esse comprometimento junto às operadoras na instalação do 5G", disse em nota na rede social.

Brendan Carr, comissário do FCC, órgão similar à brasileira Anatel, aproveitou a disputa para criticar o presidente Joe Biden. Indicado durante a administração do ex-presidente Donald Trump, Carr chamou de fracasso de liderança no 5G, ao acusar Biden de prometer um acordo para resolver a questão do 5G e radioaltímetros ano passado, mas não ter cumprido neste ano.

"Isto é um recuo da liderança dos Estados Unidos no 5G. De fato, as consequências negativas que se afluíram neste típico caso de processo disfuncional não são limitadas apenas aos fatos", afirmou Carr.

Entenda

O uso da frequência de banda C é tema de disputa entre as operadoras e a indústria da aviação. Em teoria, o uso do 5G pode causar interferência nos radioaltímetros de aviões e helicópteros, que operam na faixa de 4,2 a 4,4 GHz. Contudo, as operadoras lembraram no documento que testes de coexistência foram feitos na França e na Noruega com êxito.

Afirmam ainda que o espectro de 3,7 GHz é usado comercialmente em uma dúzia de países, como Japão, Finlândia, Dinamarca e Espanha, sem interferência entre 5G e aeronaves. Outro ponto de defesa das operadoras é que os radioaltímetros coexistem com outras redes de alta potência de rádio, como dois radares da Marinha e sistemas de telemetria móvel para ar e terra.

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