EUA prorrogam licença para negócios com Huawei; no Brasil, empresa encontra Bolsonaro

Huawei

(Atualizada às 23:00) O Departamento de Comércio dos EUA estendeu por mais 90 dias a licença temporária para negócios concedida à chinesa Huawei e afiliadas após inclusão das empresas em uma "lista de entidades" cujos negócios com companhias norte-americanas são tutelados pelo governo do país. O anúncio foi realizado nesta segunda-feira, 18.

É a segunda vez que a licença temporária é renovada, após edição de uma primeira versão em maio. A autorização é válida apenas para situações específicas pré-definidas pelo Bureau de Indústria e Segurança (BIS). "A licença temporária geral vai permitir que operadoras continuem a prestar serviços para consumidores em algumas das áreas mais remotas dos EUA que, de outra forma, seriam deixadas no escuro", afirmou em comunicado o Secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross.

Fora do escopo da licença temporária, eventuais transações seguem com a necessidade de passar por revisão do BIS, "sob presunção de negativa". Os EUA incluíram a Huawei e afiliadas da fornecedora na chamada lista de entidades após acusações de espionagem que acompanharam o recrudescimento da tensão comercial entre o país e a China.

Brasil

Também nesta segunda-feira, o CEO da Huawei no Brasil, Yao Wei, teve audiência no Palácio do Planalto com o presidente da República, Jair Bolsonaro. O encontro ocorreu na semana seguinte à 11ª reunião da cúpula do Brics, da qual participaram os governos brasileiro e chinês.

Segundo relato do jornal Valor, Bolsonaro relatou a jornalistas após o encontro que "apenas ouviu" os representantes da empresa e que "não foi feita nenhuma proposta (…) Ele apenas relatou que quer 5G no Brasil". Ainda segundo o Valor, Bolsonaro afirmou também que ficou "sabendo que há uma empresa sul-coreana também em condições de operar 5G" e que o leilão será baseado na "melhor oferta". Aparentemente, o presidente misturou em uma mesma análise empresas fornecedoras de equipamento de rede (como é a Huawei e, também a sul-coreana Samsung) com empresas operadoras que participarão do leilão de 5G. Os fornecedores, ainda que tenham interesse direto no leilão e, não raro, apoiem financeiramente grupos operadores por meio de financiamento, não costumam disputar leilões nem operar, ainda que no passado haja casos de fornecedores que se aliaram a operadores, para fomentar tecnologias específicas (como foi o caso da Qualcomm, com a Vésper).

Foto: Marcos Corrêa/PR

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