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Saída para equilibrar receitas é compartilhamento e IoT

Francisco Valim, da Nextel

O discurso não é novo: apesar de ser um dos mais resilientes do País, o setor de telecomunicações também sofre com a crise e com a queda na margem de lucro. Além disso, há a tendência mundial do aumento da demanda de dados, que pressiona as empresas a investirem mais em infraestrutura e capacidade. Duas operadoras, no entanto, oferecem saídas um pouco mais criativas: investir em Internet das Coisas (IoT) e reduzir custos com o compartilhamento de infraestrutura.

A sugestão de apostar na IoT é de Daniel Fuchs, diretor de inovações da Vodafone Brasil (operadora móvel virtual da Datora Mobile). Ele justifica que é possível trazer ao setor uma receita de R$ 1 bilhão em quatro anos, depois ficando com média de R$ 750 milhões anuais. A conta leva em consideração que, com novos sistemas inteligentes de rastreamento para frotas de veículos, isca de carga (pequenos rastreadores escondidos em caixas do volume transportado) e até de animais de estimação, seja possível capturar de 10% a 50% das economias geradas para as empresas.

No caso das frotas veiculares, Fuchs afirma que o sistema atual gera relatórios sem integração e que não oferecem interpretação dos dados. “Mas se eu conseguir cruzar e trocar informação com o ERP (sistema de gestão de pessoal), ou a cerca virtual passar a ser (delimitada via GPS) por localidade, talvez eu vá conseguir gerar uma informação que seja razoável e possa ser monitorada”, afirma. Outro ponto é ter acesso à base de pontos de multas nas habilitações dos motoristas – segundo dados dos clientes da Vodafone, há um gasto de R$ 1 mil por veículo de frota em multas.

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Fuchs sugere ainda que haja uma maior integração e interoperabilidade entre os sistemas de IoT para que as operadoras possam focar na estratégia que saia da comunicação máquina-a-máquina (M2M) tradicional para a Internet das Coisas. “Tudo isso significa parceria. A proposta é que entidades do setor, como a própria Telcomp, poderiam ajudar a liderar o processo para facilitar a troca de dados e que novos serviços surjam no nosso segmento.”

Compartilhar é preciso

Para o presidente da Nextel, Francisco Valim, no momento atual do País, é fundamental passar a considerar mais seriamente o modelo de compartilhamento. “Na medida em que vemos o cliente se empoderando, o jeito de repartir o custo é através do aumento da rentabilidade que vem através da redução do investimento em rede”, justifica. Para ele, o retorno abaixo do custo de capital que as teles têm apresentado é como “trucidar notas de R$ 100 em um moedor de carne”.

Ele reconhece que há tentativas, como a do compartilhamento de espectro (RAN Sharing) entre a TIM e a Oi, e que agora poderá contar também com a Vivo. Mas reclama que ainda é pouco. “MVNO é o exemplo mais latente de que não conseguimos compartilhar. Estados Unidos, Reino Unido e Espanha têm centenas de operadoras virtuais. No Brasil temos duas, uma delas com conotação religiosa (Mais AD, da Assembleia de Deus)”, diz. “A solução é compartilhar, e acho que esse deveria ser o grande pleito – se sou OTT (over-the-top), voz, infraestrutura… Mas quando compartilhamos, todos os serviços são possíveis, com preço de atacado diferente de varejo, permitindo que aconteça e trazendo um equilíbrio com menor investimento.”

Daniel Fuchs, da Vodafone Brasil, e Francisco Valente, da Nextel, participaram nesta semana do Seminário Telcomp em São Paulo.

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