NII: dívida de US$ 1,4 bilhão no Brasil e planos para LTE em São Paulo em 2016

Para conseguir renegociar vencimentos e dívidas com credores, a NII Holdings abriu na última sexta-feira, 14, documentos com detalhes da companhia e de seus planos que não eram públicos até então. As informações mostram que a empresa planeja o lançamento comercial de sua rede LTE (atualmente disponível somente no Rio de Janeiro) também em São Paulo em dois anos, além de exibir detalhes da dívida no Brasil com bancos e com o aluguel de torres.

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A companhia norte-americana está atualmente em discussões com credores no País para negociar novos prazos e condições para pagamentos. A empresa afirmou que em junho possuía US$ 443,1 milhões em empréstimos abertos com bancos locais no Brasil. Essa dívida é referente às dívidas de US$ 261,5 milhões com a Caixa Econômica Federal e US$ 181,6 milhões com o Banco do Brasil. Há ainda US$ 54 milhões provenientes de obrigações com torres e US$ 366,9 milhões com CDB (títulos de renda fixa nominativos com rendimentos pré ou pós-fixados). No total, o valor preliminar da dívida em junho deste ano já era de US$ 1,454 bilhão.

O documento não cita diretamente na dívida em junho a American Towers, para quem a NII vendeu 1.940 torres no Brasil por R$ 813,8 milhões no final de 2013. A dívida se refere ao aluguel (leaseback) e "obrigações de financiamento", e já foi maior: em março, era de US$ 125,3 milhões. A companhia detinha 1.500 torres no Brasil, estimando que entre 600 e 650 dessas torres eram "potencialmente monetizáveis". As torres restantes são consideradas pela empresa como estratégica ou "ativos sem potencial para colocation". A NII espera também que a nova rede de torres "greenfield" (que utilizam postes existentes) possa representar cerca de 10% dos novos sites até 2018.

LTE em São Paulo

A possibilidade de recuperação judicial não anula planos da NII Holdings para manter as operações em funcionamento, pelo menos enquanto não houver ofertas pelos ativos. Especificamente para o Brasil, a ideia é aumentar a eficiência operacional e financeira, já que a ideia inicial de "construir a base de assinantes 3G está demandando mais capital e tempo do que originalmente planejado".

A empresa justifica também que credores poderiam "maximizar valor e melhorar a estratégia de êxito" ao dar apoio ao plano da companhia de crescer a base e melhorar a lucratividade. Como parte dessa estratégia, a empresa ressalta o lançamento do 3G no País e do 4G no Rio de Janeiro, onde atual com o espectro de 1,8 GHz.

A previsão de Capex somente para o 4G no Brasil seria de US$ 200 milhões ao longo de cinco anos, e isso inclui o lançamento do serviço de LTE em São Paulo em 2016, embora a empresa não determine qual seria a frequência usada. A NII já declarara que planeja utilizar a faixa de 800 MHz no formulário enviado à SEC na semana passada: "No Brasil e na Argentina, nosso espectro de 800 MHz atual é altamente adjacente, tornando possível o uso desse espectro para suportar futuras tecnologias, incluindo tecnologias baseadas em LTE, se certos requerimentos técnicos, operacionais e regulatórios sejam atendidos, incluindo, por exemplo, a disponibilidade de rede compatível e de equipamentos de assinantes".

O uso da faixa leva em consideração uma alteração de regras do Serviço Móvel Especializado (SME) na Anatel, que entregaria "de graça" a faixa de 806 MHz a 821 MHz e de 851 MHz a 866 MHz à Nextel, possibilitando a adaptação de outorga para o Serviço Móvel Pessoal (SMP). A norma está em consulta pública.

Isso significa o eventual desligamento do iDEN, migração planejada para ser realizada de forma "proativa e tática" com foco em segmentos chave o que demandaria um longo trabalho. A Nextel Brasil espera chegar até o final do ano com uma proporção de cerca de 40% da base utilizando a tecnologia 3G/4G. A base total deverá crescer constantemente com a expansão do 3G até o ano que vem – após 2015, a NII prevê que o 4G é que levaria os consumidores à operadora. Isso considera mercados que a empresa recentemente entrou ou "vai entrar até o final de 2015".

Melhoria financeira

O projeto de aceleração da NII inclui o lançamento de planos "agressivos" de olho no mercado de receita média por usuário (ARPU) de médio para alto, algo possível "graças ao ambiente regulatório" do Brasil. O plano também recapitula o acordo de janeiro deste ano com a Telefônica (também válido para o México), que permitiu que a Nextel saísse de uma cobertura de 325 cidades (29% da população) para 2.747 municípios (85% de cobertura). O capital de giro aumentaria em 2015 por conta do pagamento adiantado desse acordo de roaming.

A lucratividade cresceria com ganhos de eficiência de rede e escala, além de lançamento de iniciativas de OSS/BSS, melhoria em áreas como canais de venda e operações com consumidor e queda nos gastos com a rede iDEN, com sites e com custos de interconexão (VU-M).

A NII prevê que ao final deste ano tenha 4,642 milhões de acessos no País, chegando a 7,666 milhões ao final de 2018; crescimento médio anual (CAGR) de 13%. Apesar do crescimento da base em 2014, a receita total deverá cair 14,65%, chegando a US$ 1,8 bilhão. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBTIDA) sairá de US$ 287 milhões para prejuízo de US$ 56 milhões.

Comunicado

A Nextel Brasil enviou a este noticiário um comunicado no qual "esclarece que as dívidas não pagas hoje é (sic) um passivo da NII Capital Corp. e NII International Telecom S.C.A." e que as atividades da controladora "não afetam as operações rotineira no Brasil e nem a capacidade de continuar desenvolvendo um trabalho que garanta melhor entrega aos nossos clientes, gerando valor para os negócios no Brasil". A empresa ressalta também que "mantém o compromisso com os parceiros e fornecedores".

A companhia destaca no comunicado "um aumento progressivo da base de clientes com planos competitivos", dizendo que esforços são adotados para manter o crescimento sustentável. A companhia cita a marca de um milhão de acessos 3G (números de junho), o acordo nacional de roaming com a Vivo, inclusão de aparelhos mais modernos no portfólio, planos e dados de market share. "Diante desses números, a Nextel Brasil está confiante nas perspectivas de crescimento planejadas e garante a todos os clientes, colaboradores e fornecedores o empenho em oferecer os melhores produtos e a completa continuidade das atividades e prestação dos serviços móveis no Brasil."

A operadora foi procurada por este noticiário para explicar se a dívida local com bancos e com torres não afetariam as operações, mas a empresa não disponibilizou porta-voz e nem quis dar mais informações.

México

No México, a segunda operação mais importante para a NII depois do Brasil, o problema continua a ser a percepção da marca junto ao consumidor após o desligamento da rede iDEN da Sprint nos Estados Unidos – muitos dos usuários mexicanos usavam o push-to-talk (PTT) da Nextel para realizar ligações via rádio para os EUA. Após essa migração forçada para o PTT via 3G, houve queda de qualidade na rede WCDMA da operadora, o que acabou afetando a imagem dela com a própria base.

No entanto, a NII prevê estabilização da operação mexicana em 2015. O plano prevê mais três cidades que deverão ganhar cobertura 4G naquele país neste ano, seguindo com mais expansão em 2015 e um orçamento de Capex para o LTE previsto para entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões em cinco anos. A empresa espera redução de custos de interconexão por conta de mudanças regulatórias e melhoras operacionais para o período.

Controladora

A reestruturação seria radical no quadro profissional da NII Holdings e suas subsidiárias. Segundo o plano de negócios da empresa, haveria uma redução de 75% na quantidade de funcionários da companhia em todo o mundo ao final de 2014 em relação ao final de 2013. A ideia é usar o "excesso de liquidez" das operações locais para recuperar o déficit de caixa da sede, dependendo de acordos de créditos no Brasil e no México.

Após o anúncio da venda da Nextel Chile, as ações da empresa dispararam na Nasdaq, fechando a US$ 0,1860, aumento de 35,08% no dia, mas que não compensa, nem de longe, a queda brutal da semana passada. De 11 de agosto até a sexta passada, a NII registrou uma desvalorização de 78,79% nas ações.

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