Covid-19 impulsiona o mercado de VOD e dos ISPs

Maurício Almeida, CEO da WatchTV

Se as perspectivas de crescimento do mercado de VOD já eram grandes em 2020, com a pandemia anunciada e isolamento social imposto à comunidade global, a tendência é que o ano seja um marco no segmento. Infelizmente por um motivo complexo, o confinamento de muitos para evitar a incidência de casos de Covid-19, mas um marco. 

Com o mundo em isolamento social e crianças fora das escolas, filmes e séries têm permitido pais trabalharem, filhos não surtarem, famílias se unirem. Se antes o vídeo tinha um status de diversão, nesses tempos tornou-se uma necessidade. O aumento seria muito maior até pela rede de ajuda mútua que o mundo estabeleceu. Muitas empresas de VOD abriram conteúdos gratuitamente para auxiliar os pais, o que fizemos também, até para ajudar a aliviar a tensão emocional que o momento está trazendo. E, com a ajuda social, o crescimento do vídeo sob demanda certamente será alavancado.

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As pesquisas feitas antes de qualquer sinal de Coronavírus já indicavam crescimento de quase 30% nos serviços de streaming. O Consumer Technology Association projetava que os gastos de streaming de vídeo do consumidor nos EUA em 2020 aumentariam 29% em relação a 2019, elevando o mercado a uma cifra de US$ 24,1 bilhões. A Technavio apresentava uma pesquisa que indicava um crescimento incremental de US$ 33 bilhões do mercado de VOD durante 2018-2023.

E, se no mundo o VOD cresce com taxas de cerca de 30%, a boa notícia é que o Brasil tem condições de crescer ainda mais, pois aqui a penetração dos serviços de streaming em relação à proporção de população ainda é baixa. E, junto ao crescimento de VOD, deve haver um impulsionamento para os serviços de internet dos provedores regionais, os ISPs. 

Por sermos um país com grandes extensões territoriais, será quase que instintivo que o consumidor perceba a diferença da qualidade de internet nesse momento. Se o consumidor antes pouco usava a internet, agora ele precisa de ótima conexão para sobreviver em um novo contexto de pandemia com home office. Os ISPs terão uma vantagem competitiva única e um papel fundamental para muitas regiões mais afastadas. 

Agora, as empresas e as pessoas mais do que nunca dependem da tecnologia para manterem seus empregos e seus negócios operando e vivos. Em nossa base de ISPs, hoje a Watch tem mais de 160 provedores regionais como parceiros espalhados pelo Brasil, que reúnem mais de 500 mil assinantes, sendo cerca de 300 mil já usuários da plataforma Watch Brasil, o que representa o grande potencial do vídeo sob demanda entre nossos clientes. 

A explosão de conteúdo sob demanda já vinha acontecendo no último ano. O aumento de produções próprias impacta positiva e negativamente o comportamento do consumidor.  Segundo um estudo da PwC, 36% dos assinantes de streaming são motivados a assinar o canal por um conteúdo exclusivo original (pesquisa feita antes da Covid-19). E, entre os mais jovens (18 a 29 anos), o percentual que assinou serviços de streaming com essa motivação foi ainda maior, 46%. Daí o aumento das produções de conteúdo.

Essa briga pela produção de conteúdo é positiva por um lado e beneficiará a produção de filmes e séries, aumentando a qualidade e as opções. Por outro, traz um sentimento de frustração por não ter mais todos os conteúdos em um mesmo local. As muitas assinaturas e seus mais variados preços estão entre os principais desafios do streaming nesse futuro próximo. O mercado está muito concorrido e o consumidor está sensível ao preço. Por isso, devem aumentar mais as chances de sucesso os streamings com pacotes robustos.  

Uma pesquisa da TRH – Morning Consult Poll, publicada no site Hollywood Reporter, indica que os consumidores querem plataformas que ofereçam pacotes de serviços de streaming. Dos adultos, 33% estão mais propensos a comprar streamings em formatos de "bundles". Lembrando, esses dados são anteriores à pandemia. O cenário Covid-19 só aumenta a pressão. Os desafios do mercado de streaming diante desse novo cenário, agora mais do que nunca, passam por tendências tais como reorganizar os modelos de negócios e fazer uma série de parcerias para conseguir oferecer cada vez mais e levar valor agregado com o máximo de conteúdos exclusivos e variados em uma única assinatura. 

Ah, e será também fundamental oferecer uma tecnologia robusta para uma melhor experiência ao usuário final, tanto do ponto de vista de banda larga (dos ISPs, por exemplo, ou grandes operadoras), quanto da aplicação de inteligência de dados e pacotes mais completos em um marketplace único.  Acreditamos que todas as previsões do mercado de streaming que estavam a passos lentos serão aceleradas diante do cenário mundial de pandemia.

*Sobre o autor – Maurício Almeida é cofundador da Watch Brasil, plataforma de streaming brasileira.

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