Smartgrid favorece aplicação de novas tecnologias

O debate em torno da chamada rede inteligente de energia (smartgrid) ganha força no Brasil por conta de sua importância para consolidação de um ambiente que favorece a aplicação de novas tecnologias com foco não apenas em todas as áreas do ciclo de energia – geração, transporte, comercialização e consumo –, mas também na transmissão de sinais e de dados.
O tema foi abordado por especialistas no Seminário Internacional de SmartGrid, realizado no CPqD, em Campinas, nos dias 12 e 13 de maio. Além do conceito, o evento tratou de políticas públicas, novas tecnologias e serviços, financiamento de projetos e infraestrutura necessária para adoção do smartgrid.
Ao contrário de países onde a implantação está mais avançada – nos Estados Unidos, por exemplo, existem sete projetos pilotos em andamento – o Brasil ensaia os primeiros passos rumo ao smart grid. Em abril, o Ministério das Minas e Energia (MME) anunciou a criação de grupo de trabalho para estudar o tema. O objetivo é fornecer subsídio para o estabelecimento de políticas públicas que visam à implantação de um Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente. "Até 2030, o consumo de energia no país terá um crescimento de 46%", estima Josias Matos de Araújo, secretário de Energia Elétrica do MME.
Uma das principais características do smartgrid é justamente a otimização da rede, a fim de reduzir o consumo de energia pelo usuário nos momentos de pico, bem como a pressão sobre as concessionárias para construção de novas usinas. Na prática, o conceito transforma o sistema elétrico em uma moderna rede, mudando a forma como as concessionárias de energia e os consumidores disponibilizam e consomem energia.
A regulamentação do PLC (Power Line Communications) como meio de transporte de sinais – o que favorece a propagação internet em banda larga –, a consolidação das informações sobre as concessionárias de energia no Sistema Informações Gerenciadas (SIG) e a medição inteligente foram apontados por Paulo Henrique Silvestri Lopes, superintendente de regulação dos serviços de distribuição (SRD) da Aneel, como algumas das ações já implementadas que favorecem o smart grid.
Segundo ele, até o fim do ano as concessionárias terão que consolidar suas informações no SIG, enquanto que para as permissionárias o prazo se estenderá até dezembro de 2012. Sobre o PLC, Lopes ressaltou que, da forma como foi regulamentada, as concessionárias de energia estão impedidas de explorar o serviço de transporte de sinais para fins comerciais. "Mas foi mantido (às concessionárias) a gestão da instalação e apuração da receita", pondera.
Já os medidores inteligentes, considerado um importante passo para adoção do smart grid e a parte mais visível da evolução da rede de energia, Lopes informa que no segundo semestre será realizada audiência pública sobre o uso desses equipamentos e de suas funcionalidades. A perspectiva é de uma adoção paulatina, com a substituição dos equipamentos atualmente em uso em um prazo de dez anos, marcando a transição da rede básica de energia para a rede inteligente de energia.
A migração irá aquecer os negócios da indústria. De acordo com Roberto Barbieri, assessor de coordenação da Abinee, o mercado brasileiro de medidores de energia gira em torno de 3 milhões a 4 milhões de unidades por ano. No ano passado, 80% dessa base eram compostos por aparelhos eletrônicos. O Brasil conta atualmente com nove fabricantes de medidores de energia elétrica, sendo que outros dois estão sendo homologados pelo Inmetro.
A aplicação do smart grid mudará a configuração da rede de energia do Brasil, explica Máximo Luiz Pompermayer, da Aneel. Em vez de unidirecional e com fluxo apenas de energia, ela terá fluxo multidirecional, suportando também a transmissão de informações.
Esse ambiente, que combina telecomunicações, sensoriamento, sistemas de informação e computação na infraestrutura existente, permite a monitoração e o controle automáticos do consumo de energia e de outros dados correlatos em tempo real.
Apesar das vantagens, há desafios para sua implantação. "O smart grid envolve a fusão de várias tecnologias, conceitos e modelos de negócio", lembra Máximo Luiz, acrescentando que, além da tecnologia, há fatores financeiros, regulatórios e ambientais, entre outros, que interferem na sua aplicação.
Na avaliação de Edson Kowask, do CPqD, o smart grid proporcionará vantagens para os usuários e irá contribuir para gerar novas oportunidades de negócios para as empresas. Em contrapartida, haverá a necessidade de se buscar soluções para os novos problemas que surgirão em decorrência de sua aplicação.
Um deles é a segurança da informação, que o especialista do CPqD aponta como o alicerce do smart grid. Nesse sentido, o grande desafio é como tirar proveito dos requisitos de segurança da informação – disponibilidade, integridade, confidencialidade e autenticidade – nos projetos desenvolvidos com base nesse conceito.
Fórum Smart Grid
Profissionais que trabalham no ambiente que combina telecomunicações, sensoriamento, sistemas de informação e computação na infraestrutura de energia existente, estarão presentes no 1º Fórum SmartGrid Telecom, que acontece dia 26 de maio, no Hotel Paulista Plaza, em São Paulo, com promoção das revistas TI Inside e Teletime e organização da Converge Comunicações.

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