Brasil perde espaço no patrimônio da Portugal Telecom

A Portugal Telecom (PT), controladora da Telesp Celular e da Global Telecom, conseguiu reduzir a participação do Brasil no valor patrimonial do grupo, segundo o presidente da empresa, Eduardo Perestrelo de Matos. O peso dos investimentos no País chegou a representar 50% do valor patrimonial do grupo, mas agora essa relação está na casa dos 30%.
Até setembro deste ano, data do último balanço trimestral, o Brasil representou 23% do faturamento mundial da PT, cerca de ? 1,3 bilhão (o grupo prevê faturar ? 6 bilhões no mundo, contra um faturamento anterior de ? 5,8 bilhões em 2001). O presidente da PT não quis comentar eventuais aquisições para completar a cobertura da joint venture Brasilcel (que reúne Telesp Celular e Telefônica Celular), mas admitiu que a empresa continua analisando as opções. Há tempos vem sendo cogitado o interesse da joint venture nas regiões da Telemig Celular (Minas Gerais) e da TCO (seis Estados da Região Centro-Oeste mais o DF).

SMP

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O presidente da PT indicou alguns pontos que deverão ser tratados como prioridade no próximo ano: a publicação do regulamento do Serviço Móvel Pessoal (SMP); o início do processo de consolidação das operadoras móveis; e a renovação dos contratos das concessionárias. ?Nós não gostamos muito do regulamento do SMP, mas ele está aí?, reclama Perestrelo. A intenção da PT é tentar flexibilizar alguns pontos do regulamento, principalmente a adoção do Código de Seleção de Prestadora (CSP). Pela Anatel, as operadoras que migrarem para o SMP terão que implantar o CSP até 30 de maio do ano que vem. A PT é contra a adoção obrigatória do CSP.
O executivo questionou ainda a orientação da agência que aposta na convergência do fixo-móvel. ?Na Europa, a tarifa de interconexão fixo-móvel favoreceu o desenvolvimento da telefonia celular, o que não ocorreu no Brasil?, afirma Perestrelo. Ele cita a Vodafone, operadora móvel britânica bem-sucedida que, ao contrário do mercado, não seguiu a tendência da convergência e tornou-se uma das maiores operadoras mundiais. ?No Brasil, as medidas regulamentares favorecem a convergência?, diz. No que se refere à consolidação para o ano que vem, o executivo vê a afirmação de três marcas no mercado: a própria joint venture Brasilcel, o consórcio Telecom Americas e a italiana TIM.

Dedic

A PT acaba de criar mais uma empresa no Brasil. É a Dedic, voltada para produtos e serviços de contact center. Trata-se de uma estratégia da PT para desvincular os serviços de call center da Mobitel, reconhecida no mercado como prestadora de serviços de paging. A Dedic absorverá toda a infra-estrutura da Mobitel (1,8 mil posições de atendimento e 4,5 mil funcionários). A empresa já presta serviços para outras coligadas da Portugal Telecom, que são responsáveis por 80% do seu faturamento. O setor de call center movimenta R$ 3 bilhões anuais e a Dedic espera conquistar entre 8% e 10% de market share (cerca de R$ 95 milhões). A Mobitel continuará operando apenas os serviços de paging. A empresa mantém uma carteira de 25 mil usuários (50% em São Paulo), os quais geram uma receita anual de R$ 6 milhões.

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