Febratel: serviços de telecom no Brasil estão entre os mais baratos do mundo

Na próxima semana, quando sair o estudo da UIT comparando os preços dos serviços de telecom pelo mundo, desconfie do resultado atribuído ao Brasil. Este é o recado da Febratel (federação que reúne as empresas de telecomunicações) a partir de um estudo realizado pelo segundo ano consecutivo com a Teleco para rebater, com dados, a informação de que os serviços de telecomunicações no Brasil estão entre os mais caros do planeta. Segundo o estudo da Febratel, que contemplou 18 países (que congregam 57% dos acessos móveis e 55% da população mundial), o serviço brasileiro está, ao contrário do que diz a UIT, entre os mais baratos do mundo. Aqui, pelos critérios do estudo, o minuto do celular da cesta calculada está em US$ 0,07, considerando impostos. Só perde para China, Rússia, Índia e México.

"O problema do estudo da UIT, que deve sair nos próximos dias, é que ele parte de uma cesta de tarifas que não existe na prática", diz Eduardo Levy, presidente executivo da Febratel. Esse valor considera ainda a carga tributária brasileira, de 43% da receita líquida em média. "Pode-se até questionar os nossos números, mas deve-se desconfiar dos outros estudos também", disse Levy. Para ele, "se os dados da UIT estivessem corretos e representassem a nossa realidade, a conta de celular seria muito elevada e os balanços das empresas serriam outros", diz ele. "Por isso queremos que haja uma crítica". Com base nos dados da UIT, a receita da telefonia móvel no Brasil deveria ser de R$ 268 bilhões, enquanto os balanços das empresas registram R$ 100,7 bilhões. Da mesma forma, a arrecadação de impostos seria de R$ 67 bilhões, e não R$ 34 bilhões, como de fato ocorre. Segundo Eduardo Tude, diretor do Teleco responsável pela análise, quando se analisa o perfil real de consumo do brasileiro, a realidade tributária e o tipo de plano contratado no país percebe-se o erro da metodologia da UIT. "Procuramos seguir os mesmos critérios que eles, mas utilizando parâmetros de uso efetivo do país, porque isso mostra quanto as pessoas de fato pagam pelos serviços".

As mesmas discrepâncias são encontradas na comparação dos serviços de banda larga fixa, cujo serviço custa em média US$ 9,3 dentro da realidade de uso e contratação brasileiras. O Brasil nesse caso só não seria mais barato do que Índia e Rússia, entre os países comparados.

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