Vídeo online é costume para 83% das crianças e adolescentes brasileiros

Dentre as cerca de 24,3 milhões de crianças e adolescentes brasileiras usuárias de Internet, 83% consomem vídeos, programas e séries online, revelou a edição de 2018 da TIC Kids Online. A atividade bate o uso de ferramentas de música (82%), mensagens instantâneas (77%), redes sociais (67%) e games (60%) na rede. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira, 17, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Segundo a pesquisa, o percentual de brasileiros com 9 a 17 anos que utilizou Internet nos últimos três meses é de 86%, contra 7% que nunca experimentou a ferramenta na vida. Ao todo, aproximadamente 3,8 milhões de crianças e adolescentes não tinham acesso à Internet em 2018. Dentre os motivos, o mais citado foi a falta de acesso no domicílio (8%).

Para os que acessam, o celular surgiu disparado como dispositivo mais utilizado, com 93%, seguido pelo computador (44%), TV (32%) e videogame (15%). Para 53% dos jovens internautas, o aparelho móvel é o único dispositivo usado para acessar a rede; nas classes D e E, essa proporção passa para 71%, nota o Cetic.br.

Dentre a parcela de crianças e adolescentes já inseridas na Internet, contudo, apenas 45% faz uso de redes 3G e 4G para tal (outros 4% não sabem). Já o Wi-Fi é utilizado por 86%, sendo a única forma de conexão para 48%.

No caso do consumo online de vídeo, há diferença entre o percentual usuário em áreas urbanas (85%) e em regiões rurais (66%). Já entre as classes A e B, o uso da ferramenta multimídia atinge 93% da amostra, ficando em 73% na D e E. Vale notar que 55% dos jovens respondentes fazem download de música ou vídeos online.

Juventudes e Conexões

Também nesta terça-feira foi divulgada a terceira edição da pesquisa Juventudes e Conexões, idealizada pela Fundação Telefônica Vivo e realizada pela Rede Conhecimento Social em parceria com o Ibope Inteligência. O levantamento ouviu 1.440 jovens entre 15 e 29 anos de todas as classes sociais e regiões do País.

Desde a primeira edição, houve crescimento no uso do smartphone: em 2013, 42% utilizavam o aparelho, mas agora o percentual é de 91%. Também aumentou o uso da TV conectada: de 6% para 31%, que a pesquisa entende ser devido à popularização de serviços de streaming de vídeos, músicas e jogos. Videogames e relógios passaram a ser itens da pesquisa, sendo que os consoles já respondem por 19%, mais popular do que tablets (15%).

A totalidade dos entrevistados informou que utiliza a Internet para comunicação e lazer, enquanto informações e serviços (99%) e capacitação e trabalho (98%) foram quase unanimidade também. Comércio eletrônico foi citado por 88%. "Os jovens dizem que só não estão online quando dormem, quando acabam a bateria e os créditos do celular ou, em alguns casos, quando estão estudando ou trabalhando", diz a empresa no comunicado. A quantidade de atividades online é reflexo, passando de 15 nas duas primeiras edições da pesquisa para 22 na atual.

De 2015 para 2018, aumentou de 48% para 55% a quantidade dos que afirmam passar mais tempo na Internet do que pretendiam. Dos entrevistados, 66% consideram que a Internet aumentou a prática de bullying; 65% sentem que piorou a exposição da intimidade; 60% acreditam que ampliou o isolamento de jovens; 57% acham que a ocorrência de ansiedade se agravou. A Fundação Telefônica destaca que, "ainda assim, 28% percebem que a Internet pode colaborar para a melhora desses quadros de ansiedade".

Do total, 97% acessa ao menos uma rede social, enquanto 80% desses cria ou posta conteúdos. Citam de forma espontânea serviços como WhatsApp (considerado como rede social pelos jovens), Instagram, YouTube e Facebook. A pesquisa ainda trata do uso da Internet e como a rede influencia na vida dos jovens. Para 58% deles, a Internet piorou a agressividade, enquanto para 45%, agravou opiniões radicais. Mais da metade (54%) acredita estar preparado para lidar com fake news, buscando verificar a fonte.

O levantamento mostra também que 55% dos jovens acreditam que a Internet melhora a dedicação aos estudos. Para 44%, a flexibilidade do uso da Web é um "grande ponto positivo", e 49% acreditam que podem aprender online coisas que não aprenderiam em outro lugar. Metade dos entrevistados concorda totalmente que a Internet aumenta a troca de conhecimento escolar/acadêmico. Porém, citam que a conectividade pode piorar atenção na aula (37%) e concentração de estudos (33%). Na sala, 42% não consideram que aprendem melhor quando o professor utiliza a tecnologia.

No trabalho, a Internet tem influência positiva e ajuda na colaboração entre empreendedores (70%), estimula inovação ou geração de ideias (51%) e amplia possibilidade de negócios com impacto social (43%). (Colaborou Bruno do Amaral)

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