Presidente da Alcatel-Lucent critica proteção ao mercado

A criação de proteção ao mercado cria distorções. É preciso detalhar melhor as regras. A opinião é do presidente da Alcatel-Lucent no Brasil, Jonio Foigel, que inaugurou nesta terça, 17, um centro de integração e testes em suas instalações, em São Bernardo do Campo, o Executive Briefing Center (EBC). O desenvolvimento de conteúdo estaria travado no País devido ao marco regulatório, por conta dos atrasos na votação do PL 29. Para Foigel, como empresa de origem estrangeira, a Alcatel-Lucent não perderá espaço no Brasil com as exigências da nova regulamentação para tecnologia nacional: "Se fizer retroação e fechar o conceito de empresa nacional do tempo da informática (antiga Lei de Informática), não perderemos mercado". Foigel disse que a tecnologia da empresa é desenvolvida globalmente – parte na China, na França, na Índia e Brasil. "É mais barato fazer software na Índia e montar hardware na China, do contrário não competimos com o preço chinês". Na China não tem nenhum incentivo, a não ser a mão-de-obra barata, afirmou ele.
O aparecimento de grandes empresas na China foi uma tipicidade que o mercado chinês permitiu, disse Foigel, ao argumentar que respeita tanto a chinesa Huawei, que está há sete anos no Brasil, quanto a Ericsson, presente aqui já há algumas décadas. Mas adverte: "Tem que respeitar as regras". Refere-se ao investimento e emprego de mão-de-obra local. Independentemente da Oi (e seu processo de fusão com a Brasil Telecom), disse que é preciso tirar proveito do momento atual para criar empresas que possam se posicionar mundialmente.

Incentivo para desenvolvimento

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O executivo é favorável ao incentivo para desenvolvimento brasileiro e está confiante em poder fazer parte desse processo, mas destaca que as operadoras deveriam separar os preços dos serviços em seus editais, pois aí, sim, haveria o cunho de empresa nacional. A idéia é que independentemente da formação do capital, haja desenvolvimento brasileiro, investimento local. Cada país tem vocação para um serviço, opina ele. Há serviços que só podem ser feitos no Brasil. Neste caso, a operadora deveria tornar explícito que tal serviço fosse brasileiro, explicou.
Foigel é favorável à parceria de empresas estrangeiras com brasileiras. "É impossível fazer tudo". Citou que na Argentina tem parceria com a Condor, além da NEC e Verizon Wireless, para desenvolvimento da LTE, em outros mercados. O padrão só deverá chegar ao mercado em quatro a cinco anos, época em que surgirão os primeiros retornos em terceira geração. Quanto às células Femto, disse que a tecnologia estará disponível no final do ano, quando provavelmente as redes das operadoras estarão implantadas.
A Alcatel-Lucent firmou um contrato de R$ 2 bilhões no início deste ano com a Brasil Telecom para gerir toda a infra-estrutura da operadora. Com a possível criação da BrOi, seu contrato poderia ser colocado em risco, uma vez que a Oi tem seus próprios fornecedores. O executivo, porém, mostrou-se tranqüilo e argumentou que o processo de fusão é bom para o País e para o fornecedor: "Vão olhar para nós como inteiro. Teremos competição e empresas baseadas num conjunto de serviços".

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